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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 170

Ponto de vista de Grace

Eleanor me encarou por um longo momento, seus olhos analisando meu rosto. Então, sem aviso, ela caiu em uma risada suave. Cobriu a boca, os ombros tremendo levemente enquanto tentava se conter.

Franzi a testa imediatamente e me virei para ela.

— Eleanor, estou falando sério. — Disse eu, minha voz baixa e tensa.

Ela sorriu para mim, ainda claramente entretida.

— Eu sei que você está falando sério, dá para notar. Sempre que você está séria, fica com esse vinco de frustração bem aqui entre as sobrancelhas. Então relaxe, Grace. Não tem nada de errado.

"Não tem nada de errado?"

Eu quase zombei em voz alta. Não havia nada de errado, se você ignorasse o fato de que Apollo Reed estava sentado na nossa sala de estar como se fizesse parte da família. Não havia nada de errado se ele não fosse o meu chefe, ou o homem mais poderoso do país. Não havia nada de errado se ele não estivesse ensinando as crianças como um tutor particular.

Soltei um longo suspiro, massageando as têmporas como se isso pudesse fazer a realidade se reorganizar.

— Você sequer sabe por que ele está aqui? — Perguntei calmamente.

Eleanor piscou para mim, depois inclinou a cabeça como se a resposta fosse óbvia.

— Não está claro? — Disse ela.

— Ele veio te visitar porque estava preocupado.

Congelei.

— Ele estava... preocupado?

Ela assentiu sem hesitação.

— Claro. Ele até veio aqui ontem. Você não se lembra?

— Ontem?

Eleanor encostou-se na parede, claramente aproveitando aquilo tudo muito mais do que deveria.

— Sim, ontem. Quando ele chegou, no momento em que te tocou, você se agarrou a ele na frente de todo mundo e se recusou a soltar. Você o arrastou para a cama como se ele fosse um travesseiro, Grace. Ficou dizendo que estava com saudades e não o deixou ir embora até o amanhecer.

O quarto pareceu girar.

Fiquei apenas ali parada, encarando ela, minha boca se abrindo lentamente enquanto suas palavras se repetiam na minha cabeça.

"Você o arrastou para a cama. Tratou ele como um travesseiro. Disse que estava com saudades. Não o deixou ir embora."

Meu coração começou a bater tão forte que eu podia ouvi-lo nos meus ouvidos.

— E-espera. — Gaguejei, dando um passo mais perto dela.

— Aquilo não foi um sonho?

Ela riu de novo e balançou a cabeça.

— Um sonho? Não, amiga. Aquilo foi a mais pura realidade.

Senti o sangue fugir do meu rosto.

— Eu honestamente fiquei com pena dele. — Continuou Eleanor, completamente tranquila.

— Você estava ridiculamente grudenta. Não sei como ele conseguiu se segurar para não te tocar, você se envolveu nele como um polvo.

— Meu Deus! — Arfei, cambaleando um passo para trás enquanto o calor inundava meu rosto. Minhas mãos voaram para a minha boca conforme fragmentos de memória de repente me atingiam. Braços quentes, um peito firme, dedos acariciando meu cabelo, a sensação de segurança ao me enterrar contra ele.

Não tinha sido um sonho.

Eu me lembrava agora.

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Flashback

As vozes chegaram até mim primeiro.

Estavam distantes, abafadas, sobrepondo-se, como se eu estivesse embaixo d'água e o mundo estivesse acontecendo em algum lugar bem acima de mim. Ouvi pessoas conversando, movendo-se, mas não abri os olhos. Não queria. Meu corpo parecia pesado, fraco, como se até respirar exigisse esforço.

Uma mão quente roçou meu rosto, gentil e cuidadosa, como se a pessoa tivesse medo de me acordar. No momento em que aquela mão tocou minha pele, meu coração falhou uma batida violenta no peito. Eu não sabia o porquê, mas a sensação foi imediata e avassaladora. Aquele calor e aquele toque pareciam tão familiares, como algo que meu corpo reconhecia antes mesmo da minha mente.

A mão começou a se afastar.

Capítulo 170: Eu não consigo deixar de te amar 1

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