Ponto de vista de Grace.
Acho que eu deveria estar te perguntando isso, senhor. Quem diabos é você… e por que caralhos se parece comigo?
Era isso que eu queria dizer.
As palavras estavam na ponta da língua, mas eu simplesmente não conseguia soltá-las. Meu cérebro estava ocupado demais tentando entender o que estava vendo.
Um homem estava parado ali, e por um segundo, pareceu que eu encarava meu próprio reflexo.
Só que não era eu, mas semelhança era absurda e perturbadora.
Mesmo maxilar marcado, mesmo formato dos olhos, até a mesma pequena ruga entre as sobrancelhas quando franzia a testa.
Meu peito apertou, uma sensação estranha florescendo dentro de mim. Por que ele se parece comigo?
Antes que eu pudesse abrir a boca, um suspiro baixo me fez virar.
A garotinha havia congelado, os olhos arregalados de medo enquanto encarava o homem. Aquilo bastou pra me arrancar do transe.
Virei de novo pra ele bruscamente, com a voz de Genesis ecoando na minha cabeça.
— Ele recebeu uma denúncia sobre isso. Nossos homens estão protegendo a garota desde então, mas ela não come nem fala uma palavra. Os médicos a mantêm estável com alimentação intravenosa, mas se ela não começar a comer logo… talvez não sobreviva. E pior, se não encontrarmos quem está por trás disso, ela pode ser a próxima.
Meu estômago despencou, os olhos se arregalaram enquanto eu encarava o homem.
Ele nem piscou. Só ficou ali, calmo… entediado… como se estivesse esperando eu falar.
Eu o observei atentamente, mas ele fazia o mesmo comigo, me estudando com aqueles olhos frios. As mãos estavam nos bolsos, a postura relaxada e indiferente, como se nada daquilo importasse.
Todos os meus instintos gritavam perigo.
Sem pensar, me coloquei na frente da garota, abrindo os braços de forma protetora, mesmo sabendo que era inútil. Ele era mais alto, mais largo… podia me derrubar com um empurrão se quisesse.
Ainda assim, não saí do lugar.
— Doutor? — Perguntei, a voz dura.
— Tem certeza de que é médico? Que tipo de médico não usa jaleco?
— O tipo rico.
Pisquei, pega desprevenida.
O quê? Que resposta arrogante e sem sentido era aquela?
O jeito casual como ele falou tornava tudo dez vezes pior. Travei a mandíbula.
— Se você realmente é médico, por que nunca vi você por aqui antes?
Ele inclinou levemente a cabeça, como se a pergunta fosse tediosa, então deu de ombros.
— Por que o dono brincaria de casinha quando está ocupado demais?
Congelei.
— Hã? Dono? Brincar de casinha?
Ele nem se deu ao trabalho de explicar. Dono?
O que ele queria dizer com isso? Estava dizendo que era dono do hospital?
Não fazia sentido, aquele era o maior centro médico do país, não tinha como ele ser o proprietário. E ainda assim…
A facilidade no tom dele, a forma como se portava, a autoridade natural na postura e a calma absurda diante da minha desconfiança faziam minha lógica vacilar.
Ele virou o rosto como se eu fosse uma mosca e olhou pra garota.
Os olhos percorreram ela devagar, calculistas, como se estivesse analisando um problema. Observou-a de cima a baixo antes de deixar os lábios se curvarem numa coisa que tentou ser um sorriso, mas virou deboche.
— Então você é a pequena que se recusa a comer ou falar. — Disse ele.
— Vai continuar com essa birra? Você pode morrer qualquer dia desses, garota.
O calor subiu instantaneamente pelo meu corpo.
Esse cara tava falando sério?!
— Você é maluco?! — Explodi antes de conseguir me controlar.
Ele olhou pra mim sem pressa.
— Como chegou a essa conclusão? Não tenho nada que prove que sou louco… pelo menos ainda não.
Senti meus dedos se fecharem em punho ao lado do corpo.
— Claro que é maluco! Como consegue falar isso pra uma criança? Pra uma paciente?
Ele suspirou daquele jeito condescendente que as pessoas usam quando estão corrigindo uma criança.
— Eu não menti. Ela vai morrer se não comer.
— Existe um jeito melhor de dizer isso. — Rebati.
— Você não é médico? É assim que fala com seus pacientes?
Ele me observou como se eu tivesse dito algo vagamente divertido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...