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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 121

Ponto de vista de Grace.

O ar pareceu sumir do quarto.

Eu estava ali, ajoelhada ao lado da cama de uma criança que não sorria, sendo encarada por um homem que parecia carregar o peso de um império nos ombros. Mas não era o poder dele que me paralisava. Era o reflexo.

Olhar para ele era como olhar para um espelho que envelheceu vinte anos e mudou de gênero. O mesmo azul profundo nos olhos — aquele tom que minha mãe adotiva sempre dizia ser "gelado demais para uma criança dedicada" — estava ali, cravado no rosto daquele estranho.

— Eu... — Minha voz falhou. Limpei a garganta, tentando recuperar o que restava da minha dignidade de funcionária da Reed Corporation, ou assistente pessoal em pânico.

— Eu sou Grace. Trabalho para o senhor Apollo Reed. Eu estava... cuidando dela. Ela caiu da cama.

Ele não se moveu. Seus olhos percorreram meu rosto com uma intensidade clínica, como se estivesse desconstruindo meu dna ali mesmo, no meio do quarto de hospital. Cada segundo de silêncio pesava uma tonelada.

— Grace. — Ele repetiu. O modo como meu nome saiu da boca dele, com um sotaque elegante e uma gravidade quase ancestral, fez os pelos do meu braço se arrepiarem.

— E por que uma funcionária de Apollo Reed passaria as últimas quarenta e oito horas vigiando uma criança que não é nada dela?

Minha boca abriu e fechou. Como ele sabia que eu estava aqui há dois dias?

— Eu... eu pessoalmente me interesso pelo caso, e o senhor Apollo quer garantir que ela receba o melhor tratamento. — Menti parcialmente, tentando manter a fachada profissional.

O homem deu um passo para dentro do quarto. A presença dele era esmagadora, o tipo de energia que faz as pessoas recuarem sem perceber. Ele ignorou minha resposta e caminhou até a cama. A menina, que não reagia a ninguém, desviou os olhos da parede para ele. Não houve medo, mas houve um reconhecimento silencioso.

Ele estendeu a mão, e para minha surpresa, tocou o topo da cabeça dela. Seus dedos eram longos, a pele impecável.

— O corte é superficial. — Disse ele, sem olhar para mim.

— Mas o estrago interno é o que deveria te preocupar, Grace.

Ele finalmente se virou, e a semelhança me atingiu novamente como um soco no estômago. A mesma curva no lábio superior quando ele estava sério. O mesmo jeito de inclinar a cabeça.

— Quem é o senhor? — Perguntei, a coragem surgindo de um lugar que eu não sabia que existia.

— O senhor não parece um médico, e não parece um dos cobradores de dívidas.

Um lampejo de algo — diversão? desdém? — passou por aqueles olhos azuis familiares.

— Meu nome é Julian. — Ele disse simplesmente.

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