Entrar Via

Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 123

Ponto de vista de Grace.

A enfermeira se agachou na frente da garotinha, passando antisséptico com cuidado no hematoma que tomava conta da perninha dela. Eu fiquei ali do lado da cama, com as mãos escondidas nas costas, assistindo tudo em silêncio.

A menina nem piscou quando o algodão encostou na pele. Só ficou lá, olhando pro nada. O rosto dela continuava vazio, como se não estivesse sentindo porra nenhuma. Eu sabia que doía — esse tipo de coisa sempre arde pra caralho — mas ela não esboçou nenhuma reação.

"Ela é muito mais forte do que eu jamais fui", pensei, a observando. Na idade dela, eu já estaria esperneando e chorando horrores.

A enfermeira finalmente se levantou com um sorriso gentil no rosto.

— Prontinho. — Disse ela, baixinho.

— Vai estar curado em uma semana. Não se preocupe, senhorita Grace.

Eu assenti, retribuindo o sorriso.

— Obrigada.

Ela se virou para sair, mas antes que chegasse na porta, eu chamei:

— Com licença.

A enfermeira parou e olhou para trás.

— Sim?

Eu cocei a nuca, meio hesitante.

— Na verdade, desculpa te incomodar, mas sobre aquele homem... quem era ele? Você o chamou de diretor. Ele é mesmo o diretor do hospital?

A enfermeira piscou, surpresa, e sorriu.

— Sim, ele é. Aquele era o senhor Ryan Jones.

— Jones. — Repeti, cruzando os braços. O nome cutucou alguma coisa na minha memória. Ryan Jones... de onde eu conheço esse nome?

Como se estivesse lendo meus pensamentos, a enfermeira completou:

— A família Jones é a segunda mais rica do país, atrás apenas dos Reeds, é claro. O senhor Ryan Jones é o filho mais velho e o herdeiro.

Meus olhos se arregalaram.

O cara que eu acusei de ser um assassino... era o herdeiro de uma das famílias mais poderosas do país.

— Que merda que eu fiz... — Sussurrei, passando a mão trêmula pelo cabelo. Meu estômago embrulhou de pavor. Eu tava muito, mas muito fodida.

A enfermeira soltou uma risadinha, mas depois inclinou a cabeça, com uma pitada de curiosidade no olhar.

— Sabe o que eu acho estranho?

Eu franzi a testa.

— O quê?

— O Diretor quase não fala com ninguém. — Disse ela.

— Nem com a própria família ele conversa muito. Ele é sempre frio e distante. Mas quando vi você com ele, tendo uma conversa de verdade, eu fiquei em choque. Acho que é a primeira vez que vejo ele falando com alguém por tanto tempo.

Olhei para o corredor por onde ele tinha sumido momentos antes, meio que esperando que ele reaparecesse. Uma conversa de verdade, né?

Soltei um suspiro pesado e murmurei:

— Bom, se é que dá pra chamar aquilo de conversa normal.

A enfermeira sorriu educadamente e ajeitou a prancheta.

— Vou indo agora.

Eu assenti, forçando um sorriso.

— Claro. Obrigada por cuidar dela.

Ela deu um aceno antes de sair do quarto, e o clique suave da porta ecoou no silêncio.

Por um momento, fiquei ali parada. Depois, fechei os olhos. Aqueles olhos azuis voltaram à minha mente. Expirei devagar e resmunguei:

— Esquece isso, Grace. Você tem coisas mais importantes pra pensar do que nesse sociopata maluco com complexo de superioridade.

E aquele diretor não estava tendo uma conversa normal comigo. Ele parecia divertido, curioso, como se quisesse ver qual seria meu próximo passo. Parecia que eu estava sendo vigiada, não como uma mulher, mas como uma presa que ele estava avaliando.

Balancei a cabeça de novo, sussurrando:

— Tanto faz. É a última vez que vou ver ele mesmo. Não preciso me envolver com outro ricaço. Um já foi o bastante.

Quando olhei de volta para a menina, ela estava deitada com o cobertor puxado até a cabeça. O corpinho estava imóvel, olhos fechados.

Dormindo ou fingindo?

Chequei o relógio. Nove em ponto.

— Boa noite. Eu volto amanhã. — Eu disse.

Ela não respondeu. Eu já nem esperava que respondesse.

Fiquei observando-a por mais um segundo antes de sair do quarto. Meus passos ecoavam baixo pelo corredor.

Talvez eu estivesse delirando, mas acho que ela não estava mais com tanto medo de mim. Tinha algo no jeito que ela não recuava quando eu falava, em como a respiração dela não acelerava quando eu chegava perto.

Ela estava me deixando ficar. Mas se eu quisesse que ela confiasse em mim, precisava achar um jeito de chegar nela sem assustá-la.

Mas como, porra?

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy