Valentina deu um grito agudo e largou a taça.
Splash!
O copo inteiro de vinho virou em cima de seu cabelo bem arrumado.
O líquido escorreu pelos fios, passou pelos olhos arregalados, estragou o batom vermelho e ensopou a roupa.
Uma bagunça.
Valentina segurou o pulso e, antes de se recuperar da dor e do choque, o segundo golpe desceu!
— Ugh!
Dessa vez, acertou em cheio no ombro dela.
Em seguida, na cintura, na barriga, nas costas...
— Ah! Sai daqui! Sua louca!!
Valentina gritou, desviando feito louca. Toda a elegância sumiu.
— É... eu sou louca...
A voz de Clara estava rouca, tremendo.
No segundo seguinte, ela levantou a voz com enorme ódio: — Louca o suficiente para bater em vadias descaradas!
Depois de falar, agarrou a bengala com toda a força do corpo e deu outro golpe, acertando em cheio a parte de trás dos joelhos de Valentina!
Valentina gritou e caiu para a frente.
Bang! Crash!!!
Ela caiu de cara na mesa.
No mesmo instante, taças e pratos tombaram, e vinho espirrou para todo lado.
Sua maquiagem borrou, o vestido ficou encharcado de vinho, um sapato caiu e a meia-calça rasgou, fazendo grandes buracos que revelaram a pele ralada.
Ela se debatia de quatro no meio da bagunça, como um palhaço.
— Chega!
Enzo finalmente reagiu.
Com o rosto pálido, ele segurou a bengala que estava prestes a descer de novo.
Clara ergueu os olhos para ele.
Uma dor aguda subiu do nariz para os olhos, queimando sua visão até deixá-la embaçada.
Esse era o homem que ela amou por cinco anos e arriscou a vida para ficar perto.
E agora ele estava usando a mão para proteger a pessoa que quase destruiu os olhos dela.
Ela não conseguia falar, apenas sentia todos os ossos do corpo tremerem sem controle.
Valentina estava caída na mesa bagunçada.
Valentina mandou jogá-la no fundo de uma montanha e disse sorrindo: — Só quero ver se você é dura na queda.
Ela ficou meio mês em um porão escuro e úmido, segurando cacos de garrafa contra a garganta, só para evitar que as mãos sujas dos homens do campo a destruíssem.
Os cacos de vidro perfuravam a pele de novo e de novo, formavam casca e rachavam.
Até hoje, as cicatrizes tortas em sua garganta coçavam e doíam em dias de chuva.
Toda vez que era maltratada, Enzo a abraçava como um louco, querendo esmagá-la em seus ossos. Com os olhos vermelhos, ele jurava: — Desculpe, Clara, eu vou me vingar.
Mas a tal 'vingança' resultou apenas em Valentina atropelando-a e cegando-a sem o menor pudor.
Ela se lembrava daquele dia. Enzo apertou o pescoço de Valentina, gritando com os olhos vermelhos que a mataria.
Naquela época, o ódio dele era real.
Mas agora.
Ele tomou o golpe no lugar da assassina e, em vez disso, gritou dizendo que ela estava fazendo barraco?
Clara riu de repente. Lágrimas misturadas com sangue caíram: — Enzo, ela me atropelou e me cegou, me fez passar um ano na escuridão. Eu só devolvi alguns golpes com a bengala... E isso é fazer barraco?
— Ela foi um pouco impulsiva daquela vez.
Enzo franziu a testa. Seu rosto mostrava uma impaciência arrogante: — Mas ela se ajoelhou na tempestade por mais de três horas e até teve uma crise de miocardite.
Ele fez uma pausa e disse: — Ela já recebeu o castigo. E, neste último ano, me prometeu não causar mais problemas para você. Clara, o que passou, passou...
Ele a encarou e falou palavra por palavra: — Pare de insistir nisso.

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