No segundo seguinte, seu corpo inteiro foi erguido por alguém.
O abraço era cuidadoso, com uma proteção desajeitada.
— Haa... Haa...
Colada à sua orelha, havia uma respiração pesada, forte a ponto de ser anormal.
O braço que a segurava tremeu de forma violenta no começo, depois apertou com força, empurrando-a mais fundo contra o peito.
Como se ele usasse a força do corpo inteiro para conter a agressividade e a loucura, centímetro por centímetro.
...
Quando acordou novamente, já era o dia seguinte, em um quarto de hospital desconhecido.
Clara esticou a mão e tateou o rosto.
O machucado na testa havia recebido pontos.
As cenas do dia anterior invadiram sua cabeça, uma atrás da outra.
Ela lembrou-se da pessoa que entrara e a abraçara antes de desmaiar.
Não era Enzo.
Um vizinho?
Mas o prédio dela tinha apenas um apartamento por andar.
Ela tentou se lembrar de mais detalhes, mas a memória havia parado no abraço trêmulo e na respiração ofegante.
De repente, o toque do celular chamou sua atenção.
A enfermeira tinha sido atenciosa, colocando o celular bem ao alcance de sua mão.
Ela pegou o aparelho.
A ligação era do pai adotivo.
O choro dele soou do outro lado da linha: — Clara, já estão me cobrando! Você vai mesmo ver seu pai morrer?
Clara ficou calada, apenas apertando o celular com força.
— Fale alguma coisa! Você quer mesmo me ver morrendo sem fazer nada?
Sem ouvir resposta, a voz de Vicente subiu de repente, furiosa: — Você me trata como pai ou não?
Seu pai adotivo... já sabia.
Ele já tinha visto Enzo e Valentina juntos há tempos, escondeu tudo e não disse uma palavra.
Mas, pensando bem, era algo totalmente esperado.
Ele teve medo de cortar a fonte de dinheiro e queria continuar sugando de Enzo.
Claro que depois ele tomou porta na cara repetidas vezes.
Ela puxou o ar e perguntou: — Um ano atrás, você usou a vovó para me obrigar a assinar o acordo. Foi o Enzo quem mandou, não foi?
Do outro lado, Vicente estalou a língua: — É, foi ele sim. Ele falou muito bonito na época, disse que você não tinha família nem contatos, e perguntou como é que você iria bater de frente com a Valentina. Se assinasse, levava um dinheiro. A Valentina prometeu não mexer mais com você. Esse foi o melhor negócio, ele disse que estava te protegendo.
Então era isso mesmo...
Clara deu uma risada baixa.
Vicente começou a ficar irritado do outro lado da linha: — Mudando de assunto, você vai aceitar ir com O Soberano ou não?
— Você me criou do mesmo jeito que cria gado para vender. Bater, xingar e me usar era rotina. Agora você quer colocar preço até na minha vida e me vender. Por que eu deveria te ajudar?

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