Ele mudou de assunto: — Mas, Enzo, você e a Valentina já assinaram os papéis. Na lei, vocês são casados. E no caso da Clara...
Enzo ficou em silêncio por um instante.
Logo depois respondeu em tom calmo: — Desde que ela não crie confusão, não a tratarei mal. A conta dos remédios da avó ainda depende de mim.
Ele fez uma pausa e disse: — A Valentina... é mente aberta, não vai se importar com ela de verdade.
Luan bateu no ombro de Enzo: — Vou te dizer, parceiro, no nosso círculo todo mundo tem seus casos por fora. O casamento arranjado entre famílias é uma aliança de negócios, unindo forças. E as de fora, quando a gente enjoa ou quando perde a graça, é só jogar fora.
— E você, quebrando a cabeça para tentar 'acomodá-la'. Ter o coração mole assim... às vezes traz problema.
Enzo não disse nada.
Mesmo assim, ele decidiu que, antes de o sol nascer no dia seguinte, faria seu assistente esperar na fila do restaurante da parte antiga para comprar o 'croissant viral' que ela amava. Depois ele iria visitá-la no hospital.
Ele precisaria agradá-la e dar uma boa explicação.
Afinal, ele nunca pensou em descartá-la de verdade. Eles tinham um passado muito bonito juntos.
E também, se ele a abandonasse.
Ela perderia todas as esperanças de continuar viva.
...
Clara descansou por um momento e pegou o celular para olhar a galeria de fotos.
Lá dentro havia uma menininha, com rosto redondo e olhos grandes, sorrindo como um pequeno girassol.
Era a filha dela.
Eles a encontraram no orfanato durante o segundo ano de relacionamento.
Naquela época a filha tinha apenas um ano de idade, era quietinha e não chorava. Mas aquele olhar ia direto no coração das pessoas.
Talvez por ser órfã, Clara teve vontade de levá-la para casa na mesma hora.
Mas, na ocasião, ela e Enzo não preenchiam os requisitos para adoção.
No fim, a criança foi adotada e registrada no nome de Isadora Carvalho, a irmã mais velha de Enzo.
— É só no papel, Clara.
Enzo havia dito na época: — Nós vamos continuar criando a criança. E, assim que casarmos, passamos ela para o nosso nome.
Nos últimos dois anos, foi Clara quem a colocou para dormir e ficou ao lado dela durante as noites doentes.
Embora não tivessem o mesmo sangue, a filha estranhamente parecia cada vez mais com ela.
Um caminho feito com a 'verdade' que Enzo mais temia, para trazer a filha de volta para casa.
Nesse momento, bateram na porta pelo lado de fora.
A enfermeira entrou segurando uma bandeja com remédios.
Clara perguntou: — Olá, enfermeira. Você saberia me dizer quem me trouxe para o hospital?
A enfermeira não teve tempo de responder, pois uma silhueta bloqueou a luz da porta.
Um homem entrou no quarto.
Ele usava uma camisa cinza, com as mãos cruzadas na frente do corpo, exibindo uma aparência gentil.
Aparentava ter cerca de trinta anos, mas mantinha um sorriso amigável no rosto: — Olá, meu nome é Silas Mendes. Fui eu quem trouxe você até aqui.
A enfermeira assentiu com a cabeça: — Sim, foi este senhor.
Clara olhou para ele novamente, não o reconhecendo: — Muito obrigada por me trazer ao hospital e por adiantar o pagamento da minha conta médica.
Silas manteve-se a uma distância educada, sorrindo de forma calma: — Não foi incômodo algum, de nada.
Clara sentiu uma ponta de dúvida e perguntou: — Desculpe a curiosidade, mas por que... você estava bem na porta da minha casa ontem?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida do Tio do Meu Ex