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Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira romance Capítulo 868

Felipe olhava para o horizonte. O contorno da montanha já havia sido desenhado pela luz tênue, e ela parecia estar bem diante de seus olhos, mas o caminho sob seus pés levava para muito longe.

Nesses últimos seis meses, ele havia renunciado a todos os seus cargos no Grupo Glória, tirando esse peso das costas, e em seguida capturou o assassino de Alfredo. E agora? O que mais ele faria?

De repente, sentiu-se perdido.

Apesar de ter a esposa e os filhos ao seu lado, e de saber que devia se esforçar para construir uma boa vida, a confusão ainda o dominava.

Era como estar em alto-mar: embora o barco sob seus pés fosse firme e o mantivesse seguro, aquela viagem não tinha um destino. Na verdade, antes havia um, mas muitas coisas aconteceram depois, e aquele objetivo deixou de ter importância.

— Para onde você acha que esse caminho leva? — perguntou Serena, virando-se para Felipe.

Felipe deu uma olhada para a montanha ao longe: — Para aquela montanha?

Serena balançou a cabeça: — Ele contorna aquela montanha e vai muito mais além.

— Esse caminho é muito estreito.

Um caminho tão estreito não passava carro, não tinha muita utilidade. Para onde poderia levar?

— Só sei que é muito longo, tão longo que uma vez tentei ver onde terminava. Caminhei por muito, muito tempo, mas acabei desistindo.

— Por que desistiu?

— Eu já estava no caminho, por que tinha que encontrar o fim dele?

— ...

— A gente não precisa, necessariamente, ter um destino fixo. Basta garantir que cada passo que damos esteja na direção certa.

Felipe ficou momentaneamente surpreso e, de repente, abriu um sorriso.

— E se a pessoa não souber nem como dar esse próximo passo?

Serena segurou a mão de Felipe. Ela parou por um instante e, em seguida, deu um passo em sincronia com ele.

Felipe a envolveu em seus braços, abaixou o rosto e deu um beijo em sua testa.

— É a primeira vez que vejo o nascer do sol.

— E ainda por cima comigo.

— É, por isso é tão lindo.

Na descida, apressaram um pouco o passo. Calcularam que as crianças já deviam ter acordado; se não os encontrassem, Adolfo até ficaria bem, mas Gabriel provavelmente aprontaria alguma.

No entanto, ao chegarem na porta de casa, viram a água jorrando de dentro para fora, já alagando o quintal inteiro.

Gabriel estava parado bem em frente à torneira, tentando em vão tapar o vazamento, já todo encharcado.

Quando viu Serena e Felipe chegando, não aguentou e abriu o berreiro:

— Eu só queria lavar o rosto, mas quando girei a torneira, ela quebrou! Eu juro que não estava aprontando!

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