Rogério desligou o telefone indignado. Sandra sentiu-se um pouco impotente; teria que apaziguá-lo depois.
Ela abriu o celular e verificou os vídeos em alta. De fato, o vídeo que ela havia publicado estava lá. E ao fazer uma busca, percebeu que o conteúdo já havia se espalhado por toda a internet, acumulando uma quantidade enorme de curtidas.
Ela abriu uma das postagens e viu que já havia mais de dez mil comentários.
— Essa garota é a protagonista de um drama de novela? Se isso for realidade, é cruel demais.
— Se vender para sustentar a família e ainda ser apunhalada pelas costas... Se fosse comigo, eu já teria enlouquecido.
— Por que borraram os rostos? Eu queria saber se as pessoas que disseram essas coisas são humanas mesmo.
— Internautas onipresentes, alguém já descobriu quem é essa família? Eu faço questão de ir lá cuspir neles.
Havia muitos comentários do tipo. Além de alguns que a chamavam de frouxa, a grande maioria amaldiçoava os três da Família Almeida, dizendo que eram piores que animais. Sandra ficou muito satisfeita com o resultado.
Nesse exato momento, a campainha tocou, e de forma bem insistente. Não precisava nem adivinhar para saber quem estava na porta.
Sandra enrolou de propósito antes de ir abrir, e Almeida já estava bufando de raiva do lado de fora.
— Sua desgraçada, hoje eu acabo com você!
Assim que a porta se abriu, Almeida invadiu a casa, erguendo o punho para agredir Sandra.
Mas desta vez Sandra não iria aceitar passivamente. No mesmo instante em que ele ergueu o punho, ela levantou a pá que já havia deixado preparada e acertou com força a cintura dele.
Atingido brutalmente na cintura, Almeida não conseguiu acertar o soco em Sandra.
Ele urrou de dor várias vezes.
— S-sua filha ingrata, como ousa levantar a mão para o seu próprio pai!
Sandra ergueu uma sobrancelha.
— Se a filha obediente que vocês tanto falam é aquela que precisa se vender para sustentar a família, ser enganada até perder tudo, aceitar tudo sem reclamar e, depois, ser jogada fora como lixo sem poder reagir, então prefiro ser ingrata.
— V-você apaga logo aquele vídeo!

— E-eu não vou perder tempo com você! Grave o vídeo de esclarecimento agora mesmo, senão eu não vou ter piedade!
— E o que você vai fazer para não ter piedade de mim?
Almeida cerrou os punhos com mais força.
— Eu te mato!

Almeida encarou Sandra, quase quebrando os dentes de tanto apertá-los.

Almeida nem ousava imaginar os ataques que sofreria quando todos descobrissem que o homem do vídeo era ele.
Sua imagem pessoal desmoronaria, a reputação da empresa seria afetada e talvez ele até fosse xingado na rua.

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