Serena Luz suspirou, impotente. Como a torneira poderia ter quebrado do nada? Gabriel com certeza devia ter forçado. Ela pegou a chave para abrir a porta, mas, por mais que girasse, a fechadura não cedia.
— Ué, o que aconteceu?
— Deixa que eu tento.
Felipe Costa pegou a chave, inseriu na fechadura e forçou para ambos os lados, mas realmente não abria.
— Não me diga que a fechadura também quebrou? — Serena piscou.
— Parece que sim.
Felipe recuou um passo e olhou para o muro do lado de fora. Percebeu que, além de alto, era revestido de azulejos, o que dificultava a escalada.
— Tem um chaveiro na cidade, vou ligar para ele vir aqui.
Dizendo isso, Serena pegou o celular, mas, justo quando ia ligar, o grito agudo de Adolfo ecoou do segundo andar.
— Papai, mamãe, socorro!
Adolfo sempre foi um menino contido e raramente gritava daquela forma, o que deixou Felipe e Serena apavorados.
Felipe agiu rápido: pegou uma pedra e golpeou a fechadura com toda a força.
Serena também tentou escalar o muro, ambos sem sequer ousar imaginar o que estaria acontecendo lá dentro.
Serena não conseguiu subir, mas, felizmente, Felipe conseguiu arrebentar a fechadura.
Os dois correram para o quintal. Felipe subiu direto para o segundo andar, enquanto Serena puxou Gabriel para a porta, mandando que ficasse ali. Quando ela estava prestes a subir, Felipe já descia com um Adolfo pálido de terror nos braços.
Serena correu até eles.
— O que houve? Adolfo se machucou?
— Mamãe! — Adolfo, chorando, pediu o colo de Serena.
Serena o pegou nos braços e examinou suas mãos e pés, mas não encontrou nenhum ferimento.
Felipe, evidentemente, ainda não tinha perguntado o que havia acontecido, preferindo tirá-lo de lá primeiro.
— Eu vi uma cobra! — Adolfo disse, após se acalmar um pouco.
— Tem muita cobra nessas montanhas, vira e mexe elas entram nas casas. Sorte que essa não é venenosa.
A senhoria segurava a cabeça da cobra com uma só mão, falando enquanto caminhava para fora.
— Tem muita cobra na montanha e elas costumam entrar nas casas? — Serena franziu a testa. — Mas moramos aqui há seis anos e nunca vimos uma cobra dentro de casa. É a primeira vez.
— Sempre tem a primeira vez, logo vocês se acostumam.
— Nós não vamos nos acostumar com isso! — Adolfo interveio, agitado.
A senhoria ficou em silêncio por um momento.
— Se vocês têm tanto medo, é melhor voltarem logo para a cidade. Para falar a verdade, nossa cidadezinha é pequena e caída, não chega aos pés das cidades grandes de vocês. Serve para passar uns dias e espairecer, mas para morar de vez, com certeza não vão se acostumar.
A senhoria parou de falar; precisava devolver a cobra para a montanha.
O encanador também não demorou a chegar. Após consertar o cano, religou a água para eles.
O quintal havia inundado, e muitas coisas que ficaram submersas acabaram estragadas, exigindo que eles fizessem uma boa limpeza.

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