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Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira romance Capítulo 867

Ter um irmão mais velho era quase como ter um segundo pai em casa.

Quando Serena foi ao quarto para ver os dois, Gabriel estava coçando a cabeça sem parar enquanto resolvia a prova, quase arrancando os cabelos. Como continuava sem entender as questões, só lhe restou pedir ajuda a Adolfo.

Adolfo agia com toda a imponência de um irmão mais velho. Primeiro, deu uma bronca por ele não ter prestado atenção nas aulas; depois, começou a explicar os exercícios com toda a paciência.

Gabriel não era nada burro. Bastava Adolfo explicar para ele entender na hora. Ao tentar resolver os problemas novamente, conseguiu terminar rapidinho e acertou tudo, o que o deixou radiante.

— A felicidade que sentimos ao nos esforçarmos e progredirmos é muito superior e mais duradoura do que a alegria que temos ao não fazer nada.

— Maninho, com o que você quer trabalhar quando crescer?

— Astrofísica.

— Astros? Tipo o sol, a lua e as estrelas?

— Existem muitas áreas de pesquisa. Mas, antes disso, eu preciso encher a minha cabeça com o máximo de conhecimento possível.

— Ah. — Gabriel pensou por um momento. — Mas eu não tenho nenhum sonho assim.

— Então você herda os negócios da família.

— Por quê?

— Porque, se eu for trabalhar com pesquisa no futuro, com certeza não vou ganhar muito dinheiro. Então eu vou precisar que você me sustente, para garantir que o meu padrão de vida não caia.

Ao ouvir que o irmão também precisava dele, Gabriel Luz estufou o peito de orgulho. — Pode deixar comigo, maninho! Eu prometo que vou te sustentar.

— Hum.

— Já que eu vou ser tão bom com você, eu não poderia fazer uma prova a menos?

— Não.

Ouvindo a conversa dos filhos, Serena sentiu uma mistura de diversão e conforto no coração.

Naquela noite, a família de quatro pessoas foi dormir cedo. Porém, pouco tempo depois de se deitarem, um grito estridente ecoou do quarto de Gabriel.

Serena, Felipe e Adolfo correram desesperados até lá e encontraram Gabriel totalmente encolhido e enrolado nas cobertas, tremendo de medo.

— Amanhã eu abro o teto e dou uma olhada para ver se encontro onde eles estão.

Gabriel não teve mais coragem de dormir naquele quarto. Serena mandou-o ir para o quarto de Adolfo, enquanto ela e Felipe foram dormir no quarto de hóspedes.

— Ficamos apenas seis meses sem vir para cá e a casa já deu todos esses problemas. Pelo visto, vamos ter que contratar alguém para cuidar da manutenção.

Como o casal havia combinado de acordar cedo no dia seguinte para subir a montanha e ver o nascer do sol, eles se levantaram ao raiar do dia. Os dois meninos ainda dormiam profundamente, então decidiram não incomodá-los.

A cidadezinha era extremamente tranquila nas primeiras horas da manhã. O sol ainda não havia despontado, e não havia iluminação nos dois lados da estrada, por isso Serena fez questão de levar uma lanterna.

Como a casa deles ficava bem na entrada da vila, bastou caminharem alguns passos para estarem ao ar livre. Sob os pés, havia uma estradinha de terra por onde não passavam carros. De vez em quando, cruzavam com um ou outro morador que ia trabalhar na roça. Quando conheciam a pessoa, davam bom dia; quando não, apenas trocavam um aceno de cabeça.

Após caminharem um pouco, olharam para trás e viram a cidadezinha pontilhada por algumas luzes acesas, o que transmitia uma sensação de profunda paz e segurança.

— Houve um tempo em que eu pensei que moraria aqui para o resto da vida. — Serena comentou.

O vento que soprava antes de o dia clarear era um pouco frio, despertando-os de vez de qualquer resquício de sono. Essa mesma brisa parecia tocar o coração, varrendo para longe todas as inquietações e problemas. Ela amava as manhãs na cidadezinha; era, sem dúvida, o momento mais relaxante do seu dia.

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