O médico de plantão acessou o prontuário dele, com uma expressão nada tranquila.
"O quadro de insuficiência cardíaca do paciente é grave. Se não fizer um transplante de coração, ele não resiste mais um mês. Mas, considerando o estado físico dele, há 80% de chance de não sobreviver à cirurgia."
Isso não era diferente de uma sentença de morte.
O coração de Celina se apertou.
"Nem os remédios importados que ele está tomando adiantam mais?"
O médico assentiu. "Já começou a apresentar resistência ao medicamento."
Celina sentiu os olhos arderem.
Karina também ficou aflita.
"Por favor, doutor, pense em outro jeito de salvar meu pai. Ele nunca teve uma vida fácil, só conseguiu aproveitar um pouco de tranquilidade nesses últimos anos. Deixe a gente cuidar dele por mais tempo, por favor."
O médico bateu o mouse na mesa, pensativo por um instante.
"Existe uma injeção cardiotônica recém-aprovada, a Injeção Cardiotônica. Os testes clínicos têm mostrado bons resultados. Mas é preciso aplicar uma dose por mês para prolongar a vida do paciente. E é um medicamento dificílimo de conseguir, só um laboratório biotecnológico no país tem autorização para produzir, então é preciso fazer a solicitação, aguardar a liberação da vaga e, depois, pagar para que seja fabricada."
"Quanto custa cada dose?" perguntou Karina.
"Um milhão e duzentos mil reais."
Karina quase desmaiou.
Ela agarrou a mão de Celina.
"E agora, o que a gente faz? Se você se separar do Jackson, quem vai ajudar a pagar o tratamento do vovô? A gente vai ter que sair de casa de qualquer jeito, você quer que a gente more onde? A indenização da prefeitura é só cinco mil reais, não dá nem para cobrir essa internação..."
Celina já estava debilitada, forçando-se a aguentar até agora, mas a realidade mais uma vez a golpeou com força.
No casamento com Jackson, ela sempre fora frágil, sem confiança nenhuma. Ou se submetia mansamente a todas as vontades do marido, como um gato dócil, ou se despedaçava tentando resistir.
Uma enxurrada de emoções a invadiu, deixando-a sem forças para reagir.
Antes que Karina terminasse de falar, Celina caiu no chão, desmaiada...
Quando Celina recobrou a consciência, ouviu a voz severa de Geraldo, repreendendo.
"Vou te dizer pela última vez: se continuar judiando do corpo da sua esposa, mesmo se trouxer um milagreiro do além, ele só vai balançar a cabeça e se enterrar de novo!"
Ela abriu os olhos e deu de cara com o olhar de Geraldo.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Eu Na UTI, Você Na Cama Da Outra!?