Vânia Carvalho só acordou perto do meio-dia, quando sua mãe a chamou animada para o closet.
— Vânia, aqui está o vestido que preparei para o jantar de hoje à noite. O que você acha?
A mãe de Vânia havia escolhido aquela peça com muito cuidado, uma criação exclusiva de alta costura.
Outra senhora também tinha se interessado pelo vestido, mas, depois de presentear a mulher com uma bolsa elegante, acabou conseguindo a peça para a filha.
A família Goulart era amiga de longa data dos Carvalho, e aquele rapaz dos Goulart parecia mesmo ser um bom partido.
No universo da elite, quase sempre os casamentos eram arranjados entre famílias do mesmo círculo.
A mãe de Vânia desejava, acima de tudo, que a filha encontrasse alguém por quem realmente sentisse algo, mas sabia que o verdadeiro amor era raro; a maior parte dos casamentos era feita de conveniências e concessões.
Temia que, ao escolher um pretendente de status inferior, o caráter dele não fosse bom, interessado apenas no nome e no patrimônio da filha.
Se fosse alguém de família mais poderosa, receava que a filha sofresse humilhações na nova casa.
Por isso, o ideal era alguém do mesmo nível.
Tudo o que queria era que Vânia tivesse uma vida tranquila e feliz.
Vânia Carvalho, por sua vez, não fazia ideia de todas as estratégias e preocupações que ocupavam a cabeça da mãe.
Ela apenas olhou para o vestido vermelho pendurado ali e não conseguiu se conter:
— Mãe, não acha que isso está exagerado?
— Não é só um jantar? Se eu sair assim, vão pensar que estou indo para o meu próprio casamento!
A mãe franziu levemente as sobrancelhas.
— Que isso, filha. Justamente por você ser tão clara, o vermelho fica maravilhoso. E, com sua altura e esse corpo — magra onde precisa, com curvas onde deve ter —, uma roupa dessas só destaca ainda mais sua beleza. Nem todo biotipo segura esse vestido.
Vânia ficou sem palavras.
— Mãe! — reclamou manhosa.
Mas a mãe insistiu:
— Vai ser esse mesmo. Confia em mim, você vai arrasar!
Vânia não teve escolha a não ser aceitar, abraçando o carinho da mãe.
–
— Brian, a mamãe separou terno pra você hoje?
Vânia bateu na porta do irmão e espiou.
Brian ergueu uma sobrancelha.
— Todos são pretos, pra que separar?
— Irmão, estou te falando, o jantar hoje vai ser uma verdadeira armadilha!
— Olha só o vestido que a mãe escolheu pra mim, nem parece que vou a um jantar. Parece até roupa de noiva! Por que a gente não falta hoje?
Brian olhou para a irmã arteira e sorriu de canto:
— Se quiser que a mamãe tenha uma crise de pressão alta, é só não ir.
Vânia entendeu o recado.

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