Samuel Serra cantarolou baixinho:
— Você está me comparando com aqueles cafajestes?
— Da última vez você não disse que ela estava solteira e que eu poderia ver se tinha alguém decente pra apresentar? — retrucou Laura Rocha, assentindo com a cabeça.
— Pois é, quem diria que ela ia arranjar alguém tão rápido, né?
Samuel Serra estreitou os olhos:
— Não deve ser aquele seu ex-assistente, não é?
Laura Rocha se assustou, endireitando-se nos braços do homem:
— Por que pensou nisso?
— Porque da última vez não foi ela quem levou o rapaz pra casa?
Laura Rocha ficou imóvel por um longo tempo, sem conseguir se recompor.
De fato... por que ela não pensou nisso antes?
Desde que Mário Goulart havia sido transferido, ela deixou de prestar atenção naquele estagiário.
Mas, olhando bem, o tipo físico de Mário Goulart era exatamente o que Liliana Santos gostava! Ela sempre se encantava com rapazes jovens, com aquele ar de “bom moço”, e por isso nunca dava certo em encontros arranjados!
— Amanhã vou sondar, ver se descubro algo! — decidiu.
— Aquele garoto não presta. Já tentou te paquerar antes, só desistiu porque eu coloquei um limite. Agora mudou de alvo. Você viu o tanto de coisa que ele já quer, logo depois de sair da faculdade? É tudo interesse.
— Mas não força demais. Tem coisa que a pessoa não está pronta pra ouvir. Não vai se meter em confusão à toa.
Laura Rocha compreendeu os limites. Só pretendia mesmo sondar um pouco.
—
Nem precisou ir atrás. Na copa, encontrou Liliana Santos enxugando as lágrimas às escondidas.
Levou-a até uma sala de reunião vazia.
— O que houve, Lily? Aconteceu alguma coisa?
Ao notar a presença de alguém de confiança, Liliana Santos desabou, chorando copiosamente sobre a mesa.
— Laura, eu comprei tudo pra ele, mesmo assim quis terminar comigo.
— Terminou? Com seu novo namorado?
— Quem é? É alguém da empresa? — questionou Laura Rocha.
Liliana Santos limpou as lágrimas, soluçando:
— Laura, você já sabe, né?
O olhar de Laura Rocha ficou sério:
— É o Mário Goulart?
— Uhum...


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