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Espelhos Quebrados Não se Reconstroem romance Capítulo 278

Ela queria muito ouvir que tipo de palavras venenosas Sara Nascimento ainda seria capaz de dizer.

Quando Samuel Serra soube do encontro, quis entrar junto, mas Laura Rocha recusou gentilmente.

— Fique aqui na porta me esperando. Pode ficar tranquilo, não existe lugar mais seguro do que a delegacia.

Samuel Serra pensou por alguns segundos e não insistiu.

Poucos minutos depois, Laura Rocha se deparou com aquela senhora elegante do passado, que agora parecia ter envelhecido vários anos.

Sara Nascimento estava com uma expressão serena.

— Você veio.

Laura Rocha ergueu as sobrancelhas.

— Você me chamou aqui para dizer o quê?

Sara Nascimento sorriu de leve.

— Você é muito inteligente. Se sua mãe tivesse metade da sua inteligência, não teria terminado daquele jeito.

— Mas eu fui tão tola quanto ela. Homens desse tipo não valem a pena para confiar a vida. Gustavo Rocha sempre soube de tudo, sempre entendeu tudo, só nunca falou nada.

— Ou você acha que eu consegui trocar os remédios da sua mãe como?

Laura Rocha apertou a mão com força.

— Tem mais alguma coisa?

Sara Nascimento, claro, não iria revelar todo o seu crime. Só queria arrastar Laura Rocha para a mesma dor que sentia.

Mas, ao ver que o rosto de Laura Rocha não tinha mais grandes reações, ficou ainda mais indignada.

— Aquela avó que você tanto respeita e ama, aquela senhora também sabia! Ou você acha que ela te tratava tão bem à toa? Laura Rocha, ela só estava tentando se redimir, sabia?

Finalmente, o semblante de Laura Rocha mudou.

Havia dureza em seu olhar.

— Não admito que fale assim da minha avó!

— Difamar? — Sara Nascimento riu. — Não estou difamando. Aquela senhora sabia de tudo, mas não podia impedir. Você acha que ela seria capaz de mandar o próprio filho para a prisão?

— A pessoa que ela mais amava não era você, era o filho dela! Ela só te tratava bem para aliviar a própria culpa!

Os parentes em quem confiava e respeitava tanto... Será que todo o carinho era uma mentira?

Por um instante, algo dentro dela pareceu desmoronar aos poucos.

Antes que terminasse a frase, ela se jogou suavemente em seus braços.

Samuel Serra a envolveu num abraço apertado.

— Meu amor, eu sempre vou estar aqui. Vai ficar tudo bem, tudo mesmo.

Laura Rocha só queria se agarrar ao calor mais próximo. Se todo carinho e preocupação fossem mentira, será que até esse momento era falso também?

Mas, ainda que fosse, pelo menos agora era caloroso.

O olhar de Laura Rocha voltou ao normal.

— Não foi nada, ela só tentou me provocar usando minha avó.

As respostas dos que partiram, ela jamais teria. Mas os vivos ainda podiam buscar redenção.

— Samuel Serra, posso me apoiar em você pela última vez?

Samuel Serra cerrou a mandíbula.

— Não existe isso de se apoiar. Tudo que é meu é seu.

— Então está bem. Vamos fazer a TecRocha falir.

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