Coincidentemente, bem nesse momento, Samuel Serra voltou para casa.
Ainda parado no hall de entrada, ele avistou a silhueta de Gustavo Rocha e disse:
— Senhor Gustavo, o senhor veio mais cedo e não avisou. Se eu soubesse, teria pedido ao chef para caprichar mais no almoço.
Gustavo Rocha soltou uma risada constrangida.
— Hehe, foi coisa de última hora. Tive saudade da Laura e decidi vir.
Ele não era ingênuo a ponto de acreditar que Samuel Serra estava realmente chateado por não ter preparado uma recepção melhor. Na verdade, o que Samuel queria dizer era que ele deveria ter avisado antes de aparecer. Isso, Gustavo Rocha entendeu perfeitamente.
— Samuel, eu tenho outros compromissos. Vou indo nessa.
Como esperado, Samuel Serra não fez questão de segurá-lo, respondendo apenas com indiferença:
— Quando quiser, volte para nos visitar.
— Ah, senhor Gustavo, sobre aquela parceria que conversamos anteriormente, talvez seja melhor repensarmos. Quando tiver uma decisão, entre em contato com meu assistente.
O sorriso de Gustavo Rocha congelou.
Ele entendeu o recado de Samuel Serra. Se continuasse hesitante e não tomasse partido, Samuel provavelmente não ajudaria mais a empresa dele.
— Claro, claro, Laura é minha filha, vou sempre priorizá-la.
Dito isso, Gustavo Rocha não se demorou, saindo rapidamente e sem rodeios.
Laura Rocha apertou os lábios.
— Você vai mesmo ajudá-lo?
— Eu posso comprar a empresa para você e colocar seu pai para trabalhar para você. O que acha?
Laura Rocha, porém, não demonstrou interesse. Ela balançou a cabeça.
— Não precisa.
Os olhos de Samuel Serra brilharam suavemente.
— E o que você quer, então?
— Quero que ele veja a própria empresa falir, ir à falência.
— Tudo bem. Como você quiser.
Laura Rocha de repente se lembrou do que Yasmin Serra havia dito: ele sempre aceitava tudo o que ela queria, sem questionar.
Se ela não falava, ele também não perguntava mais, apenas a ajudava em silêncio.
Laura puxou Samuel para sentar ao seu lado.
— Por que você não pergunta o motivo?
Samuel Serra sorriu de leve.
Samuel Serra já havia dito que ela podia decidir o que fazer com aquela quantia.
Laura não fez cerimônia.
A maioria das pessoas deu dinheiro em espécie, mas alguns preferiram transferências bancárias.
Depois de revisar toda a lista de presentes, Laura se surpreendeu ao perceber que a soma já chegava a oito dígitos.
Entre os cartões recebidos, havia um cartão preto, sem nome, apenas a palavra "Xie" anotada na ficha do presente.
Laura revisou mentalmente a lista de todos os convidados e não se lembrava de ninguém com esse sobrenome.
Com o cartão em mãos — a senha anotada no verso — ela foi ao banco conferir o saldo.
Ao ver o número na tela, Laura ficou chocada.
O valor daquele cartão chegava a nove dígitos — mais do que todos os outros presentes juntos.
Seria aquele o cartão que o vovô Serra teria colocado discretamente entre os presentes?
Segurando o cartão, Laura sentiu um calafrio. Decidiu ir imediatamente até o Grupo Serra.
Quando chegou lá, percebeu que talvez tivesse se precipitado.
Enquanto pensava em ligar para Samuel Serra, encontrou Leandro Navarro.
— Senhora... — Leandro começou a falar, mas ao notar olhares curiosos de funcionários que passavam, logo se corrigiu — Dra. Rocha, que bom que veio. Venha comigo, vamos subir juntos.

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