Algumas pessoas já haviam percebido a intenção de João Gomes ao trazer sua pupila para o encontro de hoje, mas todos mantiveram um silêncio cúmplice.
Os olhares lançados para Laura Rocha tornaram-se ligeiramente sugestivos, pensando consigo mesmos que a combinação de uma promotora com um advogado, convenhamos, parecia mesmo bastante harmoniosa.
Enquanto o papo corria solto, um homem de traços elegantes abriu a porta privativa do restaurante.
O homem usava óculos de armação prateada apoiados no nariz, uma camisa branca simples enfiada com capricho na calça social.
Era magro, mas exalava uma aura de sofisticação e limpeza.
Mário Farias sorriu com um ar de desculpas — Desculpem, acabei me atrasando.
— Não esperaram muito, espero? — disse ele com um sorriso afável para todos, mas ao cruzar o olhar com Laura Rocha, ficou brevemente surpreso.
Parecia não contar com a presença de um rosto desconhecido naquela noite.
— Ora, ora, até que enfim nosso querido procurador Farias apareceu. Só faltava você, venha, sente-se aqui! — chamou Dr. Lopes, apontando justamente para a cadeira vazia ao lado de Laura Rocha.
Laura sentiu o rosto esquentar levemente; de fato, estava no lugar errado na hora errada.
Mário Farias sorriu e sentou-se com naturalidade.
— Dr. Gomes, esta deve ser a talentosa Dra. Rocha de quem você falou, não é?
Laura Rocha não esperava que ele a reconhecesse. Levantou-se e assentiu com discrição — Boa noite, procurador Farias. Sou Laura Rocha, pode me chamar de Laura.
João Gomes abriu um largo sorriso — Isso mesmo. Olha só que memória tem o procurador Mário! Falei uma vez só, ele já guardou o nome.
Viu só? Ele sempre disse que Mário Farias jamais resistiria ao charme da pupila dele!
Agora era ver se Laura Rocha se interessaria por ele também.
Alguém brincou — Será que nosso procurador Mário só ativa a memória quando vê uma bela mulher?
— Dr. Isaque, não seja injusto. Lembro, por exemplo, que na última reunião sua filha ficou pedindo aquele patinho de brinquedo. Coincidentemente, hoje encontrei um e trouxe para ela.
— Puxa, você não precisava! Pronto, agora não posso mais tirar sarro do nosso procurador Mário!
Laura arqueou as sobrancelhas, percebendo que o jovem procurador sabia mesmo como conduzir uma situação.
Conseguiu calar o colega e, ao mesmo tempo, poupá-la do constrangimento.
Mário Farias sentiu-se genuinamente simpático com Laura Rocha, afinal, ela era mesmo bonita.
Diante do belo, quem conseguiria não se encantar?
Samuel Serra lançou um olhar de lado — Não foi você quem pediu para eu não trazê-la?
— Hoje ela teve um evento da empresa, não pôde vir.
Ele olhou o relógio no pulso, soltando um olhar resignado — Que horas vamos resgatar o Francisco?
— Daqui a dez minutos. Dez minutos devem bastar.
Quando Samuel Serra estava prestes a ser levado por Josué Rodrigues para a sala ao lado, notou de relance a porta entreaberta do outro reservado.
Lá dentro, um sorriso radiante e olhos curvos como a lua estavam voltados para o homem ao seu lado.
Samuel Serra sentiu o coração saltar — era isso que ela chamava de evento corporativo?
Josué Rodrigues também olhou na mesma direção, seguindo o olhar do amigo.
...
Ele teve a nítida sensação de ver, pairando sobre a cabeça do homem,
um feixe de luz verde.

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