No meio da noite, a confusão fez tanto barulho que vovô Serra ouviu, mas não se deu ao trabalho de sair do quarto.
Se tivesse que sair, teria que resolver algum problema de família de novo, e ele só queria um pouco de sossego.
Mas o filho ingrato, com medo de que ele ainda estivesse dormindo, chamou:
— Pai, o senhor já dormiu?
Vovô Serra revirou os olhos e respondeu com a voz abafada:
— Já!
— Pai, já que não está dormindo, podia sair aqui um instante.
O senhor de sessenta anos desceu da cama, claramente contrariado:
— Samuel Serra, desde quando você é tão atencioso assim?
Samuel Serra manteve a expressão serena.
— Pai, a Luara cometeu um erro. Amanhã vai publicar um pedido de desculpas público na internet. Queria que o senhor supervisionasse isso, por favor.
— Afinal, o senhor é o chefe da família.
Vovô Serra lançou um olhar de impaciência, já imaginando que era confusão por causa da esposa querida do filho.
Antes ele não percebia, mas agora via que o filho era mesmo dominado pela mulher.
— Tá bom, já entendi. Vou ficar de olho nela, satisfeito?
Essa neta, definitivamente, não era de sangue. Ter entrado para a família Serra já era sorte demais para ela. O que mais queria, que precisava ficar tramando o tempo todo?
Amanhã, ele iria dar um jeito nisso.
— Aliás, será que não seria bom marcar um encontro com a família da Laura e colocar logo o casamento na pauta?
O canto dos lábios de Samuel Serra se curvou levemente.
— Claro, pai. Então não vou mais incomodar seu descanso.
Vovô Serra ficou sem palavras.
Que bela desculpa para não incomodar, pensou ele. Como foi que criou um filho tão esperto assim?
—
Assim que Samuel Serra saiu, Natan Serra ficou com o rosto fechado.
— Luara, por que foi mexer logo com o seu tio?
Luara Ribeiro, só de pensar que no dia seguinte teria que pedir desculpas públicas para aquela garota, sentia vontade de vomitar de raiva.
Mas Tiago, assim como os pais adotivos, em vez de apoiá-la, só sabiam repreender quando alguma coisa dava errado.
Ao entrarem, Laura Rocha chamou o homem:
— Samuel, obrigada por me defender hoje.
Samuel Serra olhou diretamente para o rosto claro dela, mas o que lhe vinha à mente era a imagem dela, molhada, encostada nele, com aquele olhar inocente.
— Como pretende me agradecer? — a voz limpa dele de repente ficou rouca.
Sob o olhar intenso do homem, Laura Rocha desviou o olhar, desconfortável, e seus lábios rosados se entreabriram levemente.
— Um agradecimento verbal.
Samuel Serra sorriu de leve, os lábios finos desenhando uma curva.
— Ah, é?
— Então vou aceitar esse agradecimento.
Assim que terminou de falar, Laura Rocha arregalou os olhos, surpresa, enquanto o rosto bonito dele se aproximava ainda mais.
Tomado pela vontade de brincar, Samuel Serra a puxou pela cintura, beijando-a com intensidade.
A respiração fresca e dominadora dele logo tomou conta dela.
Apesar de já ter sido beijada por ele algumas vezes, Laura Rocha ainda não conseguia se acostumar.

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