Samuel Serra olhou friamente para o curioso Leandro Navarro e devolveu a pergunta:
— O que você acha?
Ele observou a silhueta que se distanciava rapidamente, pensativo.
Ela continuava igual à última vez: bastava mergulhar na escuridão para perder completamente o controle.
Parecia que ainda havia um leve perfume dela em seus dedos; Samuel Serra levou a mão ao nariz e inalou discretamente.
Por acaso — ou azar — Leandro Navarro flagrou o diretor nesse gesto estranho.
Os dois se encararam, em silêncio, por um instante que pareceu longo demais.
Leandro Navarro sentiu um arrepio na espinha.
— Diretor Serra, vou subir para o quinto andar. Até mais.
Após dizer isso, ele foi direto para a escada.
Que medo! Tinha a nítida sensação de que, um dia, seria silenciado para sempre!
Não, ele precisava se aproximar da futura esposa do diretor para garantir sua própria segurança!
Quem diria, ver o diretor, sempre tão imponente, se comportando como um verdadeiro “cachorrinho” apaixonado — era inacreditável!
Laura Rocha chegou correndo ao estacionamento e respirou fundo, tentando recuperar o fôlego.
Por que Samuel Serra era tão imprevisível?
Um instante estava gelado como mármore, no outro a envolvia em um abraço protetor.
Parecia que ainda sentia na pele o toque frio e intenso dele — uma mistura de calor e frio difícil de descrever.
— Laura! Acabou de faltar energia, tudo bem com você no elevador?
A voz de João Gomes veio de repente atrás dela, fazendo-a se assustar.
— Chefe, — Laura respondeu, exausta — como você consegue andar sem fazer barulho algum?
— Sério? — João Gomes se surpreendeu. — No que você estava pensando tão distraída?
— Nada demais. — Laura abriu a porta do carona e se acomodou no banco.
João Gomes entrou desconfiado, lançando olhares de soslaio para a expressão dela.
— Laura, você está com calor? Seu rosto está vermelho.
— Não é isso, — disse Laura, abaixando o vidro — acho que vai chover forte hoje, o tempo está abafado.
— É mesmo, a previsão era de temporal — João comentou, ligando o carro. — Mas me diga, como vocês saíram do elevador durante o apagão?
— Não teve problema, — respondeu ela, olhando pela janela. — O gerente Leandro também estava lá. Ele ligou para a equipe de manutenção e logo tudo voltou ao normal.
De novo Leandro Navarro? Esse sujeito parecia estar em todos os lugares!
João Gomes lembrou que já tinha alertado o rapaz, então por que ele ainda insistia em se aproximar da sua pupila?
Só de pensar que os dois ficaram sozinhos no elevador, João ficou inquieto.
— O gerente Leandro também estava? Só vocês dois?
Laura hesitou por dois segundos:
— Tá bem, vou passar lá mais tarde.
— Ótimo! — Francisco Pereira lembrou — E nem pense em levar a namorada. Hoje é só entre homens!
Samuel Serra sorriu de canto:
— Certo.
No instante seguinte, porém, ele ligou para a “sem coração” que acabara de lembrar.
Laura Rocha viu o nome piscando na tela e correu para o banheiro antes de atender:
— Alô?
— Já chegou no escritório? — A voz de Samuel Serra era preguiçosa e suave.
— Já sim.
— Vai sair no horário hoje? — ele perguntou, de repente.
Laura hesitou:
— Sim, saio no horário.
— Ótimo. Vou te buscar. Tenho um encontro com amigos, quero que você vá comigo.
Laura não se animou muito:
— Samuel, não conheço bem seus amigos...
— Você já viu todos: Francisco Pereira e companhia. Depois que casamos no cartório, eles disseram que querem conhecer oficialmente a “esposa do chefe”.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Espelhos Quebrados Não se Reconstroem