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Espelhos Quebrados Não se Reconstroem romance Capítulo 188

Samuel Serra foi embora levando Laura Rocha com ele.

Sentada no banco do carona, Laura lançou um olhar discreto ao homem. O leve sorriso no canto da boca dele parecia até ofuscar a vista.

— Samuel, a gente saiu assim, sem nem avisar ao vovô Serra.

Samuel Serra arqueou levemente a sobrancelha.

— Não se preocupe, meu pai tem a Yasmin para lhe fazer companhia. Mas… — ele mudou o tom —, será que você não está me chamando errado? Agora já somos casados no papel.

— O certo seria me chamar de marido.

As duas sílabas de “marido” foram pronunciadas com um peso peculiar.

Ao ouvir esse termo, Laura Rocha desviou o rosto, um tanto sem jeito.

Com a mão apoiada no volante, Samuel Serra observava o perfil iluminado dela, quase divertindo-se.

Se não gostava de chamá-lo assim, cedo ou tarde ele daria um jeito nisso.

— Seu vovô Serra… agora você também deveria chamá-lo de pai. Mas, como ele não fez questão de pagar pela troca de tratamento, pode continuar chamando de tio. Ah, e o pai do Tiago, se quiser, pode chamá-lo de irmão quando encontrá-lo. Se não quiser, nem precisa cumprimentar.

Laura Rocha ficou em silêncio.

Por dentro, pensou: “Por favor, mestre, não continue… Ainda não estou preparada para essas formalidades todas.”

Quando o carro chegou à casa de veraneio, Laura finalmente teve um pouco de sossego.

Jamais imaginou que um homem aparentemente tão sério pudesse ser tão insistente.

Ela olhou para ele no banco do motorista:

— Você não vai descer?

Samuel Serra, com um leve sorriso, respondeu:

— Preciso voltar e resolver algumas coisas com eles. Não me espere esta noite. Se ficar cansada, vá dormir cedo.

Quem disse que ela ia esperar?

— Certo… Boa sorte.

Ao ouvir isso, Samuel Serra não pôde deixar de sorrir.

Com a voz firme e suave, respondeu:

— Obrigado.

-

Na casa da família Serra, todos estavam inquietos.

— Então, Yaya, quer dizer que você já sabia que a Laura estava de caso com seu tio? — Flávia Almeida perguntou, franzindo a testa.

A palavra “caso” soou mal aos ouvidos de Yasmin, que estava prestes a rebater quando, repentinamente, um homem apareceu na porta, iluminado pela luz de fora, e sua voz cortou o ar, fria:

— Não houve caso algum.

— Eu é que pedi para ela se casar comigo.

Todos olharam para o vovô Serra, que ficou ainda mais surpreso.

O avô, com o semblante fechado, perguntou:

— Samuel Serra, você tem ideia do que está dizendo?

— Tenho, sim.

Samuel Serra se aproximou calmamente:

— Pai, já tenho trinta e três anos, sou sete anos mais velho que ela. Se eu não tivesse pedido, ela jamais olharia para mim.

— E, considerando que ainda havia o compromisso entre as famílias, consegui realizar o desejo da mãe e ainda encontrei uma esposa. Dois problemas resolvidos de uma vez. Então, me diz, por que vocês estão tão contrariados?

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