Samuel Serra foi embora levando Laura Rocha com ele.
Sentada no banco do carona, Laura lançou um olhar discreto ao homem. O leve sorriso no canto da boca dele parecia até ofuscar a vista.
— Samuel, a gente saiu assim, sem nem avisar ao vovô Serra.
Samuel Serra arqueou levemente a sobrancelha.
— Não se preocupe, meu pai tem a Yasmin para lhe fazer companhia. Mas… — ele mudou o tom —, será que você não está me chamando errado? Agora já somos casados no papel.
— O certo seria me chamar de marido.
As duas sílabas de “marido” foram pronunciadas com um peso peculiar.
Ao ouvir esse termo, Laura Rocha desviou o rosto, um tanto sem jeito.
Com a mão apoiada no volante, Samuel Serra observava o perfil iluminado dela, quase divertindo-se.
Se não gostava de chamá-lo assim, cedo ou tarde ele daria um jeito nisso.
— Seu vovô Serra… agora você também deveria chamá-lo de pai. Mas, como ele não fez questão de pagar pela troca de tratamento, pode continuar chamando de tio. Ah, e o pai do Tiago, se quiser, pode chamá-lo de irmão quando encontrá-lo. Se não quiser, nem precisa cumprimentar.
Laura Rocha ficou em silêncio.
Por dentro, pensou: “Por favor, mestre, não continue… Ainda não estou preparada para essas formalidades todas.”
Quando o carro chegou à casa de veraneio, Laura finalmente teve um pouco de sossego.
Jamais imaginou que um homem aparentemente tão sério pudesse ser tão insistente.
Ela olhou para ele no banco do motorista:
— Você não vai descer?
Samuel Serra, com um leve sorriso, respondeu:
— Preciso voltar e resolver algumas coisas com eles. Não me espere esta noite. Se ficar cansada, vá dormir cedo.
Quem disse que ela ia esperar?
— Certo… Boa sorte.
Ao ouvir isso, Samuel Serra não pôde deixar de sorrir.
Com a voz firme e suave, respondeu:
— Obrigado.
-
Na casa da família Serra, todos estavam inquietos.
— Então, Yaya, quer dizer que você já sabia que a Laura estava de caso com seu tio? — Flávia Almeida perguntou, franzindo a testa.
A palavra “caso” soou mal aos ouvidos de Yasmin, que estava prestes a rebater quando, repentinamente, um homem apareceu na porta, iluminado pela luz de fora, e sua voz cortou o ar, fria:
— Não houve caso algum.
— Eu é que pedi para ela se casar comigo.
Todos olharam para o vovô Serra, que ficou ainda mais surpreso.
O avô, com o semblante fechado, perguntou:
— Samuel Serra, você tem ideia do que está dizendo?
— Tenho, sim.
Samuel Serra se aproximou calmamente:
— Pai, já tenho trinta e três anos, sou sete anos mais velho que ela. Se eu não tivesse pedido, ela jamais olharia para mim.
— E, considerando que ainda havia o compromisso entre as famílias, consegui realizar o desejo da mãe e ainda encontrei uma esposa. Dois problemas resolvidos de uma vez. Então, me diz, por que vocês estão tão contrariados?

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