A casa velha e rústica parecia em ruínas e cheirava a mofo.
Afonso disse que Felícia morava no segundo andar.
O corrimão balançando e a escada caindo aos pedaços fizeram o coração de Naiara se apertar.
Ela nunca imaginou que Felícia vivesse num lugar como aquele.
Durante todos aqueles anos, o salário que Carlos pagava a Felícia não era baixo.
Na pior das hipóteses, ela poderia alugar um apartamento decente.
Como acabou morando ali?
Logo ao chegar à porta, ouviram um estrondo violento vindo de dentro.
Afonso levantou a mão e bateu na porta.
Em pouco tempo, o portão de ferro rangeu e se abriu.
Um homem que parecia ter quase cinquenta anos, com a barba por fazer e roupas amarrotadas, apareceu diante deles.
As feições lembravam muito as de Felícia.
Naiara deduziu que aquele devia ser o filho fracassado de Felícia.
Um homem daquela idade que passava os dias na completa ociosidade.
Ele já tinha sido casado, mas a esposa fugiu com o filho porque o homem passava os dias bebendo e apostando.
Depois disso, o homem piorou ainda mais.
Sempre que ficava sem dinheiro, ia cobrar de Felícia.
Numa idade em que já deveria estar descansando e aproveitando a vida, Felícia ainda precisava trabalhar como babá para sustentar o vício dele.
Ao ver com os próprios olhos, Naiara finalmente entendeu por que Felícia morava naquele lugar.
Ter um teto já era uma sorte, considerando o parasita que tinha como filho.
Naiara foi direta, com sua voz fria: — Procuro a Felícia.
O homem parecia ter acabado de acordar e estava impaciente: — Vai procurar a tua mãe na tua casa. Não tem mãe nenhuma tua aqui.
Naiara manteve a postura impecável: — Eu procuro a Felícia.
O homem hesitou por um segundo, medindo os dois de cima a baixo.
Pela aparência, eram pessoas da alta sociedade. Ele então recuou um pouco na agressividade.
— Quem são vocês?
Naiara continuou educada, mas distante.
— Somos amigos de Felícia. Viemos tratar de um assunto com ela.
O homem sorriu, revelando dentes amarelados pelo excesso de cigarro.
— Ela tem amigos como vocês? Conta outra.
Felícia ouviu Naiara chamá-la.
Na emoção, tentou se levantar da cama, mas caiu de novo, suando frio de tanta dor.
Ao ver aquela cena, o coração de Naiara se partiu.
Ela correu até a senhora, tomada pela preocupação.
— Felícia, o que aconteceu com você?
Felícia, ao ver Naiara, ficou tão emocionada que mal conseguia falar.
— Dona Naiara... como a senhora me encontrou aqui?! Rápido! Saia daqui, este lugar é sujo e bagunçado, vai sujar as suas roupas.
Naiara sentiu um nó na garganta.
— Primeiro, vou ajudar você a se levantar.
Mas Afonso segurou o braço de Naiara, impedindo-a suavemente de fazer esforço.
— Deixe comigo.
Dizendo isso, ele se curvou, pegou Felícia nos braços com elegância e a colocou de volta na cama.
Naiara ficou paralisada por um momento.
Felícia devia estar há dias sem lavar o cabelo ou trocar de roupa, exalando um cheiro forte.
Mas ele, um homem do mais alto escalão, não demonstrou o menor sinal de nojo ou repulsa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...