Naiara não soube o que responder de imediato.
A verdade era que aquela ideia havia surgido de repente, ali mesmo. Ela nunca havia pensado seriamente naquilo antes. E mesmo sendo apenas um pensamento fugaz, sem planos concretos de execução, jamais imaginou que ele ouviria.
Naquele momento, embora a fúria ardesse nos olhos de Afonso, ele tentava desesperadamente se controlar.
Naiara sentiu um aperto de compaixão.
— Foi só um pensamento passageiro, não ia fazer isso de verdade.
— Mentira! — A voz de Afonso saiu rouca e pesada, carregada de um pânico contido. — Se você tem essa ideia, mais cedo ou mais tarde, vai acabar fazendo!
— Não vou...
— Você me prometeu! — O tom de Afonso subiu abruptamente. — Você me prometeu que, se eu fosse obediente e fizesse o que você pediu, não me deixaria, não deixaria a Nuvem Pioneira! Como você pode voltar atrás na sua palavra?!
Naiara o encarou com firmeza, mas sua voz era suave.
— Você pode se acalmar?
— Como eu posso me acalmar?! Você fala em ir embora, me diz, como eu não vou me alterar?! — As mãos dele agarraram os ombros dela com força. — Eu tenho feito de tudo para agir exatamente como você mandou. Eu me segurei para não me aproximar, me segurei para não te abraçar, me segurei para não te beijar! O que mais você quer que eu faça?!
— Afonso... — Naiara franziu a testa. — Me escuta...
— Chega!
Afonso a soltou, recuando dois passos, o rosto contorcido de dor.
— Eu já não sei mais qual palavra que sai da sua boca é verdade. Você fala uma coisa na minha frente, e pelas minhas costas, quebra as promessas que me fez.
— Naiara... — O peito dele parecia tão apertado que as palavras saíam quase engasgadas. — Eu sei que o Carlos te causou muita dor, sei que isso construiu um muro no seu coração. Mas eu não sou o Carlos Lucca! Eu sou o Afonso... o Afonso que sempre guardou você no lugar mais profundo do coração...
A garganta de Naiara fechou, doendo insuportavelmente. Vê-lo tão vulnerável e dilacerado quase a fez ceder. Quase a fez correr para os braços dele.
Mas, no fim, ela resistiu.
O jantar desceu como vidro na garganta de Naiara, e ela acabou voltando para o quarto mais cedo.
Ao ver que ela estava de saída, Quitéria largou os talheres na mesma hora.
— Sra. Naiara, eu te acompanho até o quarto.
— Não precisa, coma mais um pouco — recusou Naiara, gentilmente.
— Não, eu também já perdi a fome.
Naiara não insistiu. No caminho, Quitéria permaneceu calada, parecendo bastante abatida.
— O Gualter disse alguma idiotice para você? — perguntou Naiara.
— Ele me disse... — Quitéria parecia ter dificuldade em articular as palavras. — Ele me disse que não gosta de mulheres.
Naiara quase engasgou com a própria saliva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...