— Qual é o sentido de casar, então?
— O sentido é que você resolve a pressão da sua família, e eu resolvo a da minha. Nunca mais teremos que aguentar nossos pais nos forçando a ir a encontros arranjados. A gente se casa, e todo mundo fica satisfeito.
Fábio suspirou, como quem aceita uma sentença.
— Por mim, tudo bem. Contanto que você saiba exatamente o que está fazendo.
— E tem outro motivo mais importante.
— Qual?
— Você não queria desistir do casamento? — Isadora lançou a ele um olhar provocativo. — Pois agora eu faço questão de que você se case comigo.
Fábio ficou em silêncio.
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Naiara entrou no carro e ficou sentada por alguns minutos, encarando o volante. De repente, sentiu-se sem rumo.
Após refletir um pouco, decidiu manter o plano inicial de visitar a futura escola de Natália.
Assim que ligou o motor, o celular tocou.
Ela havia salvo o número de Zuleica anteriormente, e agora o nome brilhava na tela.
O que ela quer comigo?, pensou Naiara.
Intrigada, atendeu a ligação.
— Senhorita Naiara, será que poderíamos nos encontrar rapidamente?
Duas horas atrás, Isadora havia feito exatamente a mesma pergunta.
Naquela ocasião, Naiara ainda hesitou um pouco.
Mas agora, com Zuleica do outro lado da linha, ela não teve dúvidas.
— Claro.
As relações humanas podiam ser estranhamente irônicas.
Algumas pessoas começam a jornada prometendo uma vida inteira juntas, mas o vínculo se parte antes mesmo de chegarem na metade do caminho.
Por outro lado, havia pessoas com quem parecia impossível sequer ter uma convivência pacífica, e muito menos amizade. E, no entanto, com o passar do tempo, a convivência gerava um afeto inesperado e genuíno.
Naiara e Zuleica não eram exatamente amigas, mas, de forma invisível, uma conexão de respeito e empatia havia se formado entre elas.
A floricultura de Zuleica ficava bem perto do Residencial Perfume, então Naiara foi direto para lá.
Havia dois clientes na loja, e Zuleica estava ocupada ajudando-os a escolher arranjos.
Enquanto podava as hastes, um espinho de rosa rasgou seu dedo. Zuleica apenas levou o dedo à boca rapidamente, chupou o sangue superficial, e sem dar um único pio, continuou trabalhando como se nada tivesse acontecido.
Naiara observou aquelas mãos com atenção.
Naiara abriu um sorriso gentil.
— Nove anos e você já está se preocupando com o casamento dela?
Uma nuvem de tristeza passou pelos olhos de Zuleica.
— Ela tem uma deficiência. Perdeu uma das pernas e, hoje, vive em um orfanato. Ela já sai em desvantagem na vida, então, enquanto eu estiver viva, quero guardar cada centavo que puder para o futuro dela.
Naiara franziu a testa, confusa.
— Mas... por que você não traz ela para morar com você? Por que deixá-la no orfanato?
— Porque eu tenho ficha na polícia. Eu fui condenada e cumpri pena na cadeia. Quando fui presa, cortei legalmente meus laços com ela, para que ela nunca carregasse o estigma de ter uma irmã assassina. Isso destruiria o futuro dela. Hoje, eu cuido dela pelas sombras, usando uma identidade falsa.
Então era essa a verdade.
Naiara de repente se lembrou de uma velha citação: 'Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua própria maneira.'
Ao ver a dor tão profunda estampada no rosto de Zuleica, Naiara sentiu um aperto no peito e decidiu mudar o rumo da conversa.
— Você disse que precisava falar comigo. Aconteceu alguma coisa?
Zuleica piscou, voltando ao presente, e sua expressão rapidamente tornou-se tensa e carregada de desespero.
— Eu quero pedir que você salve aquela criança.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...