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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 647

Ao ouvir a notícia, Naiara não demonstrou a menor alteração emocional.

Não havia sequer um pingo de surpresa em seu rosto.

Aquela era a nova Isadora.

Fazia o que dava na telha.

Nunca parava para analisar se era apenas um impulso cego ou quais consequências desastrosas suas ações poderiam gerar.

Naiara limitou-se a pronunciar duas palavras.

— Meus parabéns.

Isadora recuou um pouco na cadeira.

— Achei que você fosse tentar me convencer a não fazer isso.

Naiara abriu um sorriso gélido.

— Somos adultas. Se alguém precisa ser aconselhado a não fazer uma burrice toda vez que toma uma decisão, não há diferença alguma entre nós e uma criança.

Isadora mordeu o lábio, hesitando.

— Você... aceitaria ser minha madrinha de casamento?

— Não seria adequado. — Naiara voltou o olhar para a janela do café.

O tempo lá fora estava claro, sem vento, mas a sensação térmica parecia cada vez mais fria.

— Afinal de contas, eu sou divorciada. Dizem que atrai má sorte ter uma madrinha assim.

— Eu não ligo para superstições — rebateu Isadora.

— Mas eu ligo. Eu tenho medo.

— Medo de quê?

— Medo de que, se o casamento de vocês for um desastre, a culpa acabe caindo sobre mim. Como hoje eu já não consigo compreender como sua mente funciona, não posso garantir que você não usaria isso contra mim no futuro. Prefiro cortar o mal pela raiz.

As palavras de Naiara formaram um nó na garganta de Isadora.

— É isso que você pensa de mim?

— Foram as suas atitudes que me obrigaram a pensar assim. Eu não quero arrumar problemas desnecessários para a minha vida.

— Naiara...

— Isadora — interrompeu Naiara, sem paciência para prolongar o drama. — Vamos encerrar por aqui. Eu aceitei as suas desculpas e já a perdoei. Daqui para frente, não devemos nada uma à outra.

Naiara pegou sua bolsa, mas fez uma última pausa antes de se levantar.

— Em relação ao casamento, desejo felicidades. Mas, do fundo do meu coração, eu espero que você não machuque o Fábio.

— Ele pode parecer irresponsável e farrista por fora, mas é um homem de ouro. Ele poderia simplesmente ter lavado as mãos e sumido, mas não fez isso. O fato de ele tentar compensar o que aconteceu de todas as formas prova que ele tem muito caráter.

— O casamento pode ser só mais um dos seus impulsos, mas para ele, é uma decisão para a vida toda. Então, peço que você pense bem antes de dar esse passo.

— E, se você realmente está decidida a ir até o fim com isso, eu te peço, em nome da amizade que um dia tivemos: trate-o bem. Veja o Fábio como seu marido, e não como um saco de pancadas ou um mero substituto.

Naiara conteve o aperto doloroso no próprio peito.

— Por que mudou de ideia do nada?

— Para usar as suas próprias palavras: já que eu tenho que casar com alguém de qualquer jeito, é melhor que seja com um conhecido. Poupamos o trabalho de ter que conhecer uma pessoa do zero.

— Mas não é de mim que você gosta.

Isadora virou o rosto, fixando o olhar diretamente nele.

— E você também não me parece exatamente apaixonado por mim.

A mente de Fábio estava uma bagunça, mas ele mantinha o raciocínio prático e focado.

— Você ainda tem tempo para reconsiderar. Pense bem. Se decidir desistir, eu tomo a frente e resolvo com os nossos pais. Eu assumo toda a culpa sozinho. Peço desculpas às famílias, e deixo que a raiva e as punições caiam apenas sobre mim.

As palavras que Naiara dissera há poucos minutos ecoaram na mente de Isadora.

De fato, aquele homem tinha um senso de responsabilidade raro.

Era infinitamente superior a tantos outros por aí.

O problema era que ela não o amava.

— Pelo visto, você realmente não quer se casar comigo — constatou ela, amarga.

— Eu só não quero que você se arrependa depois — rebateu Fábio.

— Não importa. Se não der certo, a gente se divorcia. Ou então... — A expressão de Isadora tornou-se fria e cínica. — A gente mantém um casamento de aparências. Depois da festa, cada um vive a sua vida. Você faz o que bem entender e eu não interfiro, e eu faço o mesmo sem que você dê palpite.

As sobrancelhas de Fábio se juntaram em um vinco profundo de desaprovação.

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