Os lábios se uniram em um instante.
O toque familiar invadiu a mente de Naiara como uma tempestade. A investida avassaladora do homem fez com que qualquer resquício de racionalidade desmoronasse.
Tudo o que ela mais desejava naquele momento era fechar os olhos e se entregar.
Eram como dois viajantes no deserto que, após uma longa jornada, finalmente encontravam um oásis. Selvagens e sedentos, beijavam-se como se quisessem fundir a alma e o sangue um do outro.
Quando finalmente se separaram, os lábios de Naiara estavam em um tom rubro intenso.
Ela tocou o canto da boca, onde o sabor dele ainda persistia.
— Você... você não disse que o corpo não acompanhava a vontade?
Afonso curvou os lábios, sorrindo com a satisfação de um caçador que capturou sua presa.
— Exatamente. Por isso, só podemos nos beijar. Não tenho forças para mais nada.
Naiara deu um tapinha leve no ombro dele.
— Não falo mais com você.
Em seguida, ela se enfiou debaixo das cobertas, puxando o tecido até cobrir a cabeça, tentando esconder a vergonha que aquecia seu rosto.
Afonso acomodou o edredom ao redor dela com delicadeza.
— Durma bem. Boa noite.
A voz de Naiara soou abafada sob os cobertores.
— Boa noite.
Não demorou muito para que o som de uma respiração suave e compassada preenchesse o quarto. Aquela que havia prometido cuidar do paciente já estava profundamente adormecida.
O homem, então, afastou o próprio cobertor e deslizou para debaixo das cobertas dela.
A mulher adormecida não percebeu. Apenas se moveu instintivamente, aninhando-se no calor que se aproximava.
O braço dele escorregou por baixo do pescoço dela, envolvendo-a em um abraço firme e protetor.
Naquele momento, não havia desejo desenfreado, apenas a profunda necessidade de mantê-la segura em seus braços. Tê-la ali era o melhor calmante que ele poderia desejar.
No dia seguinte.
Naiara acordou e percebeu que o espaço ao seu lado estava vazio.
— Afonso — chamou ela, instintivamente o procurando, com a voz carregada de uma preguiça manhosa.
Sem receber resposta, Naiara levantou-se e foi até a sala. Lá, encontrou Afonso sentado na luxuosa chaise longue em frente às janelas panorâmicas, com o notebook apoiado nos joelhos.
Na tela, linhas de um código de programação complexo rolavam rapidamente.
Ela se aproximou.
— Trabalhando tão cedo?
Afonso deu dois tapinhas no espaço ao seu lado.
— Não é nada urgente. Só dando uma olhada.
Naiara sentou-se junto a ele, massageando o pescoço que parecia um pouco rígido.
Assim que as palavras saíram, a atmosfera mudou subitamente.
O olhar de Afonso escureceu e a linha de seus lábios ficou tensa.
Naiara sentiu uma pontada de arrependimento e logo tratou de mudar de assunto.
— Ah, e a sua dor de cabeça? Ainda está forte?
Ela havia dormido a noite inteira, afinal. Que tipo de cuidadora ela tinha sido?
A expressão de Afonso voltou a suavizar.
— Tomei um remédio. Estou bem melhor.
Naiara franziu a testa, tentando se lembrar.
— Você tomou remédio? Eu não me lembro do médico receitando nada.
— Sim, tomei. O efeito foi ótimo.
De repente, o som da porta principal se abrindo quebrou o clima.
José entrou apressado, carregando várias sacolas de café da manhã.
— Senhor Afonso! O senhor tem certeza de que aguenta comer tudo isso? Isso aqui dá para duas ou três pessoas! Desde quando o seu apetite ficou tão...
José congelou no lugar.
Ele encarou os dois sentados bem próximos na chaise longue e, no mesmo instante, esqueceu completamente o resto da frase.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...