— Por que você não me acordou? Já vamos sair às nove!
Quitéria sorriu e respondeu: — O horário foi alterado.
Naiara piscou, confusa. — Alterado?
— Sim, o José avisou no grupo. Disse que a partida foi remarcada para as dez.
— Hã? Como eu não fiquei sabendo?
— Mudaram ontem à noite. Você provavelmente não viu as mensagens do grupo.
Faz sentido.
Talvez estivesse tão exausta de passear no dia anterior que, depois de um banho rápido, caiu na cama e apagou.
Já que a saída fora adiada para as dez, não precisava se apressar.
Naiara se deitou novamente, querendo aproveitar mais um pouco a preguiça na cama.
— Pode ir se arrumar primeiro. Eu vou daqui a pouco.
Quitéria tirou as cobertas e se levantou. — Está bem, vou primeiro.
Ao passar ao lado da cama de Naiara, ela deu um sorriso cheio de segundas intenções.
— Menina espertinha, se tem algo a dizer, diga logo. — disse Naiara.
Quitéria deu uma risadinha. — Só ia comentar que você sorriu com tanta alegria durante a noite.
Naiara travou por um instante.
— Eu sorri?
— Sim! Deve ter tido um sonho muito bom, porque estava rindo à toa.
Naiara sentiu o rosto esquentar de vergonha.
Ela obviamente não podia contar a Quitéria o tipo de sonho maravilhoso que havia tido.
— Eu te atrapalhei a dormir?
— Imagina. Você dorme super quieta. Foi só por um momento na noite passada que você deu umas risadas baixinhas e depois voltou a dormir tranquilamente. Sra. Naiara, sonhou com algo muito feliz? Eu nunca a vi rindo solto daquele jeito, como uma criança.
Naiara queria que o chão se abrisse e a engolisse.
— Vá logo se lavar.
Quitéria foi para o banheiro ainda rindo.
O celular de Naiara vibrou com uma mensagem de Afonso.
[Bom dia.]
Naiara respondeu imediatamente.
[Bom dia.]
[Dormiu bem a noite passada?]
[Sim, apaguei e só acordei agora.]
Duas palavras curtas, mas que talvez representassem o pensamento mais terno possível.
Um sorriso suave surgiu nos lábios de Afonso e ele bagunçou a parte de trás do cabelo de José, como se tratasse de um irmão mais novo.
— Ela já vai terminar de se arrumar, e nós desceremos para comer.
Quando Afonso saiu do banheiro, a expressão de José ficou um pouco tensa.
— Sr. Afonso, o Sr. Henrique te ligou agora há pouco.
— Hum.
— Como você não atendeu, ele ligou para mim.
— E o que ele disse?
— Apenas pediu para você retornar a ligação.
— Hum.
José ficou em silêncio por um instante.
— Mas chefe, o tom de voz do patrão estava até bom. Não parecia que estava ligando para arrumar problema, então não se preocupe.
Uma leve pontada de amargura surgiu no coração de Afonso.
Uma ligação do pai para o filho havia se tornado, aos olhos de José, sinônimo de "problema".
A relação entre pai e filho já havia chegado a esse ponto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...