— Acho que a nossa amizade realmente chegou ao fim.
— Por minha causa?
Naiara o encarou, estupefata.
— Você...
— Eu sei — afirmou ele, com a voz calma.
A surpresa dela era nítida.
— Você sabe?!
— Sim, eu sei.
Ainda incrédula, ela questionou:
— E o que exatamente você sabe?
Afonso pegou a mão dela, envolvendo-a com firmeza entre as suas. A palma dele era sempre tão quente que a sensação parecia irradiar até o coração de Naiara.
— Eu sei que ela gosta de mim.
Naiara arregalou os olhos.
— Como você descobriu isso?
— Pelo jeito que ela me olhava. — Os lábios de Afonso se curvaram num sorriso carregado de puro fascínio e adoração. — Você acha que eu sou como certas pessoas, que mesmo quando tudo está tão escancarado na sua frente, ainda não conseguem enxergar o que a palavra "gostar" significa?
Naiara cutucou a bochecha dele de leve.
— Uau. Você é o senhor Afonso, o todo-poderoso de Rio Belo, o único herdeiro da família Xavier. Quando a família Xavier bate o pé, toda a cidade de Rio Belo precisa tremer. E eu, o que eu sou? Apenas a herdeira arruinada que foi expulsa de casa pela família Jasmim, a mulher rejeitada que a família Lucca varreu para fora da porta. Alguém na minha posição... como ousaria acreditar que um homem como você pudesse se apaixonar por mim?
Afonso a puxou de volta para o seu colo, escondendo o rosto no pescoço dela e sussurrando:
— Ainda bem que a família Lucca a expulsou. Senão, como eu teria encontrado um tesouro tão raro? Pensando bem, acho que devo agradecer ao Carlos. Se ele não a tivesse tratado tão mal, você não teria perdido todas as esperanças, e eu passaria a vida inteira esperando sem ter a minha chance.
Naiara encolheu os ombros, sentindo um calor doce preencher seu peito.
— Ai, para, faz cócegas.
Ele baixou a cabeça, depositando um beijo suave na pele sensível de seu pescoço.
— Vou te contar um segredo. Quer ouvir?
— O que é?
— Na verdade, quando soube que você tinha se divorciado, passei dias comemorando em segredo.
Naiara não conseguiu segurar a risada.
— Isso não é o que chamam de rir da desgraça alheia?
O homem a observava com um olhar profundo, transbordando afeto. De repente, ele se inclinou e tomou os lábios macios e avermelhados de Naiara em um beijo arrebatador.
O gemido abafado que escapou da garganta dela foi instantaneamente engolido pela intensidade possessiva daquele beijo.
Quando finalmente se separaram, com as respirações descompassadas, Naiara umedeceu os lábios inchados e provocou, fingindo indiferença:
— Tudo bem se não gostou. Eu compro outro presente para você.
Afonso pegou a medalha das mãos dela.
— O fato de você ter trazido uma glória tão imensa para a Nuvem Pioneira já foi o melhor presente que eu poderia receber. Quanto à medalha, você deve ficar com ela. É a sua conquista pessoal, tem um grande valor sentimental.
— Mas assim parece que eu não te dei absolutamente nada — argumentou ela.
Afonso esticou a mão, afastando delicadamente uma mecha de cabelo que caía sobre a testa de Naiara.
— Eu não acabei de dizer? Vencer a competição já foi o meu presente.
Naiara fez um biquinho teimoso.
— Não é a mesma coisa. Eu faço questão de te dar algo palpável.
Afonso arrastou a última sílaba, com um tom rouco e sedutor:
— Está bem. Então, pense com bastante carinho no que vai me dar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...