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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 602

Gualter manipulava o cubo mágico, os estalos plásticos ecoando rapidamente.

— Se ela já disse que não queria, por que eu deveria tomar a iniciativa? Vai que depois ela acha que estou a fim dela.

Naiara, que estava bebendo água, quase engasgou.

— Precisa ser tão radical?

— Claro. Mulheres são muito problemáticas, quanto mais longe, melhor.

Naiara deu uma risada contida.

— E eu não sou mulher?

— Você é, mas o seu lugar no meu coração é diferente das outras.

— Diferente como?

— Você é a minha família. A única que eu tenho.

O coração de Naiara deu um sobressalto. Ela deu um tapinha leve no ombro dele.

— Então, para onde quer que eu vá no futuro, você vai me seguir?

Gualter respondeu sem nem pensar:

— Lógico.

— E se eu sair da Nuvem Pioneira?

— Eu vou com você.

O coração pesado de Naiara foi aquecido mais uma vez.

Gualter parou de girar o cubo mágico e virou a cabeça para encará-la.

— Você vai sair da Nuvem Pioneira?

Naiara sorriu.

— Não, foi só uma hipótese.

A Nuvem Pioneira era uma plataforma excelente, ela não estava disposta a ir embora tão cedo.

Gualter abaixou a cabeça, voltando a se concentrar no brinquedo. O que ele disse a seguir soou casual, mas trazia uma seriedade oculta:

— Se algum dia você quiser seguir outro caminho, me avise.

Naiara brincou:

— O senhor Afonso está investindo pesado no seu treinamento agora. Se você simplesmente for embora, não seria um pouco de ingratidão?

— Ele não me culparia, de qualquer forma.

— Por quê?

— Porque ele me disse que eu poderia traí-lo, mas nunca deveria trair você. Afinal, você já sofreu danos e traições demais na vida.

Afonso lançou-lhe um olhar de advertência.

José de repente se lembrou:

— Ah, quase me esqueci! Meu resfriado ainda não curou totalmente. O senhor avisou que eu não devia me aproximar da senhorita Naiara esses dias. Veja só, a febre me deixou tão confuso que eu até esqueci.

Pelo resto do dia, Naiara não trocou uma única palavra com Afonso.

Não era porque ela não quisesse, mas parecia que os dois haviam se transformado em polos iguais de um ímã: sempre que ela se aproximava um pouco, ele recuava.

Naiara finalmente entendeu que Afonso estava, de forma deliberada, mantendo distância dela. Ela não sabia explicar exatamente o que estava sentindo. Apenas sentia um leve aperto no peito, uma pequena pontada de decepção.

Essa dinâmica permaneceu inalterada até o último dia da competição.

Se por acaso esbarrassem pelos corredores, Afonso a cumprimentava de forma puramente educada. E ia embora logo em seguida, sem um pingo de hesitação.

Aquela sensação de distanciamento deixou Naiara extremamente desconfortável e, aos poucos, uma irritação começou a brotar dentro dela.

No último dia do torneio, os dois acabaram se encontrando na porta do quarto do hotel.

José, com seu bom humor habitual, acenou todo sorridente para Naiara.

Naiara fingiu não vê-lo, passando direto por ele sem olhar para trás.

O sorriso largo de José murchou instantaneamente.

Maravilha! Os dois brigam, e quem fica no fogo cruzado sou eu.

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