A ideia animou Naiara.
— Por mim, tudo bem.
Gualter olhou para Afonso.
— E você, King?
— Eu...
— Você com certeza vai. Se a Naiara vai, como é que você ficaria de fora?
Naiara finalmente entendia por que Afonso sempre ameaçava jogar Gualter pela janela.
Nunca se sabia se a próxima frase que sairia daquela boca seria um devaneio filosófico ou apenas um comentário irritante o suficiente para merecer um soco.
José ameaçou se levantar para ir junto, mas foi imobilizado por um único olhar de Afonso.
— ...Acho melhor eu ficar cuidando do quarto...
O assistente observou, desolado, os três saírem.
Deitou-se no sofá e suspirou por longos minutos.
Quando se levantou novamente, sua mão esbarrou em algo.
Pegou o objeto e percebeu que era o celular de Naiara.
José pensou consigo mesmo: "Pelo visto os livros têm razão. Mulheres grávidas esquecem as coisas com facilidade."
Deixou para lá. Entregaria quando eles voltassem.
A uns quatro ou cinco quilômetros do hotel, havia um bairro movimentado que reunia arquitetura colonial, patrimônio histórico e uma infinidade de barracas de comida típica. Era o verdadeiro cartão-postal da cidade e um dos pontos turísticos mais procurados.
Os funcionários do hotel haviam sugerido a visita.
A menção às comidas locais já tinha sido suficiente para despertar o interesse de Gualter.
Como Naiara também estava curiosa para conhecer o marco histórico da cidade, virou-se para Afonso.
— Você vem?
— Eu vou com você. Mas deve estar lotado, então não se perca de mim.
Naiara deu uma risadinha.
— Não tenho três anos de idade, Afonso. Não vou me perder.
O bairro boêmio era cortado por um rio histórico que, segundo as lendas locais, costumava ser o reduto da alta sociedade e da nobreza em tempos passados, cenário de grandes festas e passeios.
Ao cair da noite, barcos deslizavam pelas águas sob a brisa suave. A superfície do rio cintilava com o reflexo das luzes coloridas da cidade, como se sussurrasse antigos contos de amor, paixão e tragédia que ali se desenrolaram através dos séculos.
Os barqueiros atraíam os turistas com entusiasmo:
— O melhor jeito de apreciar a vista noturna é de barco! Venham fazer um passeio!
Naiara nunca tinha andado de barco na vida e estava morrendo de vontade de experimentar.
Percebendo o brilho nos olhos dela, Afonso dirigiu-se a um dos barqueiros:
— Somos três. Queremos fechar o barco só para nós.
Gualter recolheu as mãos e as enfiou nos bolsos do casaco, resmungando:
— Para quem a gente ama, aquecedor portátil. Para quem a gente não ama, mãos nos bolsos. Quanta hipocrisia.
— Gualter.
— Quê?
— Você sabe nadar?
— Não, por quê?
Um sorriso de canto despontou nos lábios de Afonso.
— Se eu te jogar na água agora, quanto tempo você acha que leva para boiar?
Sem perder tempo, Gualter virou-se para Naiara e disparou:
— Naiara, se eu e o King cairmos na água ao mesmo tempo, quem você salva primeiro?
Hã?
Naiara ficou confusa por um segundo.
Como é que o assunto tinha sobrado para ela?
Gualter insistiu:
— Quem você salva?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...