Parecia uma bronca.
Mas, no fundo, era pura dor e culpa.
Se aqueles ferimentos tivessem mesmo sido causados por causa dela...
As feições tensas de Afonso relaxaram um pouco ao ouvir aquilo.
— Não se preocupe, eu tenho experiência com isso.
Naiara sentiu vontade de chorar.
— Que tipo de experiência? Experiência de praticar artes marciais desde criança e se machucar? Isso lá é a mesma coisa?!
Nesse momento, o sempre eloquente Afonso pareceu perder as palavras.
— Estou bem, de verdade. Eu conheço os limites do meu próprio corpo. Não fique tão nervosa. Não se esqueça de que temos um bebê a caminho.
Naiara sentou-se abruptamente na beirada da cama, dando as costas para Afonso. Seus olhos pinicavam, ameaçando marejar.
— Quem fez isso?
Afonso ficou em silêncio.
— Foi o seu pai, não foi?
Os ferimentos evitavam pontos vitais. Embora a pele estivesse dilacerada e a carne à mostra, não havia danos profundos aos ossos ou tendões.
Claramente não era obra de um inimigo querendo matá-lo.
Parecia muito mais um castigo familiar severo.
Afonso conhecia a inteligência de Naiara. Desde o momento em que ela cruzou a porta do quarto, ele sabia que não conseguiria esconder mais nada.
E, agora, ele também sabia perfeitamente quem havia contado a Naiara sobre o que tinha acontecido.
Seu pai realmente não estava lhe dando um milímetro de trégua.
Diante da situação, Afonso não teve outra escolha a não ser confessar.
— Sim.
Naiara soltou um suspiro pesado.
— Foi por minha causa?
— Não.
Os olhos de Naiara carregavam uma melancolia indescritível.
— Será que a minha existência não passa de um grande problema na sua vida?
Afonso paralisou. Uma sensação de pânico inexplicável apertou seu coração.
— Não pense besteiras. Isso realmente não tem nada a ver com você. Os conflitos entre mim e o meu pai já existem há muito tempo. Eu...
— Afonso.
Comparado a Gualter, o corpo de Afonso era ainda mais impressionante e perfeito.
E, naquele momento, era a primeira vez que ele estava sem camisa, com o torso completamente nu, na frente de Naiara.
Se fosse em qualquer outro dia, Naiara provavelmente teria aproveitado para admirar a vista e soltar alguma provocação bem-humorada.
Mas, hoje, ela não tinha o menor interesse ou disposição para brincadeiras.
Naiara fez uma longa pausa, sem continuar a frase.
Afonso perguntou, cauteloso:
— O que você ia dizer?
Naiara balançou a cabeça devagar.
— Nada. Apenas descanse um pouco agora.
O que ela poderia dizer?
Sua mente parecia ter entrado em branco.
Ela tinha coisas a dizer, mas quando as palavras chegaram à ponta da língua, ela esqueceu todas elas.
O clima no quarto ficou repentinamente denso e constrangedor.
Cada movimento dela foi meticulosamente calculado, com medo de esbarrar e causar-lhe dor.
Quando terminou, ela saiu do quarto caminhando nas pontas dos pés.
Percebendo a intenção dela, José deu meia-volta, pronto para fugir.
— Pare aí mesmo — ordenou Naiara.
José não teve escolha a não ser frear os passos. Virou-se e abriu um sorriso amarelo para ela.
Naiara o puxou para longe da porta do quarto.
— Eu tenho algumas perguntas para você.
José já imaginava o que estava por vir.
— Eu não sei de absolutamente nada.
— Você não sabe de nada, ou não quer falar?
— Não é que eu não queira falar, é que eu não posso falar!
Assim que as palavras saíram, ele quis morder a própria língua.
Ela estava armando uma armadilha, e ele caiu feito um patinho.
Naiara apertou os lábios.
— Então você sabe de tudo.
José uniu as mãos em prece.
— Senhorita Naiara, eu imploro, não me coloque nessa posição difícil, por favor? O jovem mestre me proibiu de abrir o bico, então eu não posso falar nada. O jovem mestre é o meu chão, ele é tudo para mim. Se você quer tanto saber, pergunte para ele quando ele acordar, pode ser?
Naiara hesitou por um momento.
Deixa para lá.
Era melhor poupar o pobre rapaz.
Ele também tinha os seus próprios dilemas e lealdades para manter.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...