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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 540

Parecia uma bronca.

Mas, no fundo, era pura dor e culpa.

Se aqueles ferimentos tivessem mesmo sido causados por causa dela...

As feições tensas de Afonso relaxaram um pouco ao ouvir aquilo.

— Não se preocupe, eu tenho experiência com isso.

Naiara sentiu vontade de chorar.

— Que tipo de experiência? Experiência de praticar artes marciais desde criança e se machucar? Isso lá é a mesma coisa?!

Nesse momento, o sempre eloquente Afonso pareceu perder as palavras.

— Estou bem, de verdade. Eu conheço os limites do meu próprio corpo. Não fique tão nervosa. Não se esqueça de que temos um bebê a caminho.

Naiara sentou-se abruptamente na beirada da cama, dando as costas para Afonso. Seus olhos pinicavam, ameaçando marejar.

— Quem fez isso?

Afonso ficou em silêncio.

— Foi o seu pai, não foi?

Os ferimentos evitavam pontos vitais. Embora a pele estivesse dilacerada e a carne à mostra, não havia danos profundos aos ossos ou tendões.

Claramente não era obra de um inimigo querendo matá-lo.

Parecia muito mais um castigo familiar severo.

Afonso conhecia a inteligência de Naiara. Desde o momento em que ela cruzou a porta do quarto, ele sabia que não conseguiria esconder mais nada.

E, agora, ele também sabia perfeitamente quem havia contado a Naiara sobre o que tinha acontecido.

Seu pai realmente não estava lhe dando um milímetro de trégua.

Diante da situação, Afonso não teve outra escolha a não ser confessar.

— Sim.

Naiara soltou um suspiro pesado.

— Foi por minha causa?

— Não.

Os olhos de Naiara carregavam uma melancolia indescritível.

— Será que a minha existência não passa de um grande problema na sua vida?

Afonso paralisou. Uma sensação de pânico inexplicável apertou seu coração.

— Não pense besteiras. Isso realmente não tem nada a ver com você. Os conflitos entre mim e o meu pai já existem há muito tempo. Eu...

— Afonso.

Comparado a Gualter, o corpo de Afonso era ainda mais impressionante e perfeito.

E, naquele momento, era a primeira vez que ele estava sem camisa, com o torso completamente nu, na frente de Naiara.

Se fosse em qualquer outro dia, Naiara provavelmente teria aproveitado para admirar a vista e soltar alguma provocação bem-humorada.

Mas, hoje, ela não tinha o menor interesse ou disposição para brincadeiras.

Naiara fez uma longa pausa, sem continuar a frase.

Afonso perguntou, cauteloso:

— O que você ia dizer?

Naiara balançou a cabeça devagar.

— Nada. Apenas descanse um pouco agora.

O que ela poderia dizer?

Sua mente parecia ter entrado em branco.

Ela tinha coisas a dizer, mas quando as palavras chegaram à ponta da língua, ela esqueceu todas elas.

O clima no quarto ficou repentinamente denso e constrangedor.

Cada movimento dela foi meticulosamente calculado, com medo de esbarrar e causar-lhe dor.

Quando terminou, ela saiu do quarto caminhando nas pontas dos pés.

Percebendo a intenção dela, José deu meia-volta, pronto para fugir.

— Pare aí mesmo — ordenou Naiara.

José não teve escolha a não ser frear os passos. Virou-se e abriu um sorriso amarelo para ela.

Naiara o puxou para longe da porta do quarto.

— Eu tenho algumas perguntas para você.

José já imaginava o que estava por vir.

— Eu não sei de absolutamente nada.

— Você não sabe de nada, ou não quer falar?

— Não é que eu não queira falar, é que eu não posso falar!

Assim que as palavras saíram, ele quis morder a própria língua.

Ela estava armando uma armadilha, e ele caiu feito um patinho.

Naiara apertou os lábios.

— Então você sabe de tudo.

José uniu as mãos em prece.

— Senhorita Naiara, eu imploro, não me coloque nessa posição difícil, por favor? O jovem mestre me proibiu de abrir o bico, então eu não posso falar nada. O jovem mestre é o meu chão, ele é tudo para mim. Se você quer tanto saber, pergunte para ele quando ele acordar, pode ser?

Naiara hesitou por um momento.

Deixa para lá.

Era melhor poupar o pobre rapaz.

Ele também tinha os seus próprios dilemas e lealdades para manter.

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