Assim que saíram do campo de visão de Carlos, Afonso soltou a mão dela.
— Desculpe, foi no calor do momento.
Naiara também se apressou em explicar.
— Aquilo que eu disse agora há pouco...
— Eu sei, não levei a sério.
Por isso, quando a ouviu dizer que "gostava", seu coração permaneceu como águas tranquilas.
Sabia que ela só tinha falado aquilo de propósito por ter sido encurralada por Carlos.
Naiara estava preocupada com o ferimento dele.
— Vamos ao médico dar uma olhada.
— Não precisa, foi só um machucado leve.
— Mas está sangrando.
— Não é nada. Já estou acostumado.
Acostumado?
Como assim?
Ele se machucava com frequência?
— Já lhe disse, os meninos da família Xavier precisam treinar artes marciais desde cedo para conseguirem se proteger em momentos cruciais. Então, quando eu era criança, ter ferimentos grandes e pequenos era muito normal.
Naiara sentiu uma pontada de pena inexplicável.
As crianças daquelas grandes famílias poderosas talvez não fossem tão felizes quanto os de fora imaginavam.
— Você, por outro lado, precisa trocar o curativo.
Naiara tocou a gaze no próprio pescoço.
É verdade.
— Vou te levar para trocar o curativo primeiro. A cirurgia não vai acabar tão cedo, de qualquer forma.
Naiara não recusou.
— Tudo bem.
Seria perfeito. Assim ela poderia pedir ao médico para dar uma olhada no machucado de Afonso também.
No consultório.
Durante a troca de curativo de Naiara, como a gaze estava colada na ferida, puxá-la doeu bastante, e ela não conseguiu evitar um gemido.
A aflição de Afonso era visível a olho nu.
— Doutor, por favor, seja mais delicado.
O médico sorriu e disse a Naiara:
— Seu namorado é ótimo. Além de bonito, é muito atencioso.
Naiara já estava com preguiça de explicar.
Não era a primeira nem a segunda vez que os interpretavam mal, então que ficasse assim.
— Doutor, poderia dar uma olhada no machucado na boca dele também? — pediu Naiara, depois que o curativo foi trocado.
Afonso estava com o celular na mão, mandando mensagens no grupo de trabalho, e chegou a hesitar ao ouvir aquilo.
O médico acenou, chamando-o.
Afonso não disse nada e sentou-se na banqueta.
O médico segurou seu queixo e examinou de perto.
— Isso foi um soco?
— De agora em diante, não vamos mais falar esse tipo de coisa entre nós. Hoje eu te ajudei, mas talvez chegue o dia em que eu também precise da sua ajuda.
Naiara assentiu levemente.
— Tudo bem. Se precisar, não hesitarei em ajudar.
Ao terminar de falar, ela olhou para a boca machucada de Afonso e não conseguiu segurar a risada.
— Nós dois parecemos companheiros de azar.
Afonso sorriu suavemente.
— Realmente parecemos.
— Ah, aquele presente de casamento que você disse que mandaria para eles... não me diga que é...
— Sim, é.
Certo.
Naiara só podia prestar um minuto de silêncio por Adriana.
Ela não imaginava como Carlos reagiria ao descobrir a verdade.
Será que ele ainda se casaria com Adriana?
Assim que os viu, José notou o ferimento de Afonso e se desesperou.
— Senhor Afonso, de onde veio esse machucado?
Afonso não entrou em detalhes.
— Não foi nada, esbarrei sem querer.
Como José acreditaria naquilo?
Isadora quase disse alguma coisa, mas, no fim, se conteve.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...