Afonso permaneceu em silêncio.
Leonardo, que tinha um olhar aguçado para essas coisas, notou na hora.
— Vocês brigaram?
Os olhos escuros de Afonso cintilaram levemente. — Não.
Leonardo deu um sorriso sutil, carregado de significado.
— Que bom. Vocês são jovens, mas precisam pensar com muita clareza antes de tomar qualquer atitude. Não ajam por impulso. Certas coisas marcam a vida inteira.
À noite.
Naiara fez companhia a Natália durante o jantar, comendo a comida do refeitório do hospital. O sabor era medíocre, servindo apenas para enganar o estômago.
Sentada na cama, Natália folheava um livro que Naiara havia comprado para ela.
O título: 'E O Vento Levou'.
A garota lia com fascinação absoluta.
Naiara sentia um misto de pena e ternura por aquela criança.
Ela não chorava, não fazia birra, era de uma obediência ímpar.
O fato de que, mesmo quando a agulha lhe arrancava lágrimas de dor, ela não emitia um único som de protesto, apenas apertava mais o coração de Naiara.
Não havia mais nenhum traço da inocência infantil em Natália.
A vida a obrigara a amadurecer rápido demais, transformando-a em uma pequena adulta compreensiva.
Naiara estava recostada no sofá, com o notebook apoiado nas pernas.
Ela queria fazer companhia a Natália, mas não podia negligenciar o trabalho.
A competição estava se aproximando e ela precisava correr contra o tempo.
Sem perceber, o relógio marcou nove e meia da noite.
Absorta no que fazia, Naiara perdeu a noção do tempo.
Quando finalmente deixou o computador de lado, massageou o pescoço tenso e espreguiçou-se. Foi só então que notou Natália pescando de sono, ainda abraçada ao livro.
Naiara não conseguiu conter um sorriso suave.
— Natália, hora de dormir.
A garota ergueu a cabeça. — Irmã.
— Sim?
— Eu queria ler mais livros.
— Combinado. Quando terminar este, eu compro outros para você.
Natália marcou a página com cuidado, guardou o livro embaixo do travesseiro e, em seguida, arrastou-se até a beirada da cama.
Como a menina era miúda e muito magra, o movimento liberou espaço suficiente para que uma pessoa se deitasse confortavelmente ao lado dela.
— Irmã, vem dormir aqui na cama.
Naiara apontou para o sofá.
— Eu durmo no sofá, está tudo bem.
— Vem dormir na cama, por favor. O sofá não é confortável, e você pode pegar um resfriado.
— Uhum! Vou dormir agora mesmo.
Dizendo isso, a garota deitou-se rapidamente.
Mas não sem antes se encolher um pouco mais no canto.
Na verdade, a cama não era tão pequena.
Acomodava bem duas pessoas.
Porém, com medo de apertar Naiara, Natália tentava ocupar o menor espaço possível.
Com receio de que ela caísse da cama, Naiara a puxou delicadamente para mais perto de si.
E assim, a mulher e a criança adormeceram tranquilamente.
No meio da noite, a porta do quarto foi empurrada.
Alguém entrou.
Natália acordou.
Achando que fosse uma enfermeira fazendo a ronda, surpreendeu-se ao ver a figura alta e esguia de um homem caminhar para dentro.
Natália abriu a boca para falar.
O homem levou o dedo indicador aos lábios, fazendo um sinal de silêncio.
A garota obedeceu prontamente e ficou calada.
Instintivamente, ela sentia que aquele homem não era uma pessoa ruim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...