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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 502

— E por que você quer ir para a Serra do Cão Feroz?

— Porque a Dolce está lá.

— Dolce?

Quem seria dessa vez?

Não podia ser outra irmã da menina, certo?

— É, era a cachorra que eu criava. Era uma menina, então eu a chamei de Dolce. Mas ela morreu. Um vizinho nosso a matou a pauladas. Ele disse que a minha Dolce assustou o filho dele.

— Por isso, quando eu morrer, quero ir para a Serra do Cão Feroz. A Dolce vai estar lá me esperando e a gente vai atravessar a serra juntas.

Ouvir aquilo partiu o coração de Naiara.

— A Dolce era a sua única amiga, não é?

— Sim, nós éramos amigas.

Quão solitária essa criança devia ser para considerar um cachorro como seu único amigo no mundo?

Naiara sorriu, tentando confortá-la.

— A Dolce já reencarnou. Ela já foi para uma família muito boa e está sendo mimada.

— É verdade?

— É verdade.

Natália não tirava os olhos de Naiara.

— Moça, eu ainda estou viva, não estou?

Naiara sorriu e assentiu.

— Você ainda está viva.

— Então, quem é você?

— Eu? — Naiara apoiou os cotovelos na beirada da cama, aproximando-se do rosto pálido da garota. — Eu sou a sua irmã mais velha.

— Minha irmã?

— Uhum.

— Mas tirando o meu pai, eu não tenho mais família.

— Claro que tem. Você tem a mim.

— Como é que eu nunca te vi antes?

— Porque eu estava morando em um lugar muito longe, acabei de voltar.

Natália não disse mais nada.

Naiara pensou que ela estava cansada e começou a organizar as compras.

— Irmã.

Naiara parou o que estava fazendo.

— Oi?

— Meu pai morreu mesmo?

O próprio hospital conseguiu resolver a situação.

...

José encerrou a ligação e fez seu relatório com seriedade.

— Senhor Afonso, tudo resolvido.

O homem estava parado diante da enorme janela panorâmica, com uma taça de vinho na mão e um olhar profundo. O terno de alta costura, com seu corte impecável, o deixava com uma postura ainda mais imponente.

José parou um passo atrás dele.

— O Dr. Pereira voa para Rio Belo amanhã de manhã. Já arrumei um carro para buscá-lo no aeroporto.

A voz de Afonso manteve seu tom frio e sereno.

— Certo.

— Senhor, eu não entendo.

— Fale.

— Se o senhor está ajudando a Senhorita Naiara, por que fazer isso pelas costas? Qual seria o problema se ela soubesse?

O homem girou levemente o vinho tinto na taça e deu um pequeno gole.

O vinho tinha um retrogosto doce.

Mas, para ele, desceu um pouco amargo.

— Se ela não souber... viverá mais tranquila.

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