— E por que você quer ir para a Serra do Cão Feroz?
— Porque a Dolce está lá.
— Dolce?
Quem seria dessa vez?
Não podia ser outra irmã da menina, certo?
— É, era a cachorra que eu criava. Era uma menina, então eu a chamei de Dolce. Mas ela morreu. Um vizinho nosso a matou a pauladas. Ele disse que a minha Dolce assustou o filho dele.
— Por isso, quando eu morrer, quero ir para a Serra do Cão Feroz. A Dolce vai estar lá me esperando e a gente vai atravessar a serra juntas.
Ouvir aquilo partiu o coração de Naiara.
— A Dolce era a sua única amiga, não é?
— Sim, nós éramos amigas.
Quão solitária essa criança devia ser para considerar um cachorro como seu único amigo no mundo?
Naiara sorriu, tentando confortá-la.
— A Dolce já reencarnou. Ela já foi para uma família muito boa e está sendo mimada.
— É verdade?
— É verdade.
Natália não tirava os olhos de Naiara.
— Moça, eu ainda estou viva, não estou?
Naiara sorriu e assentiu.
— Você ainda está viva.
— Então, quem é você?
— Eu? — Naiara apoiou os cotovelos na beirada da cama, aproximando-se do rosto pálido da garota. — Eu sou a sua irmã mais velha.
— Minha irmã?
— Uhum.
— Mas tirando o meu pai, eu não tenho mais família.
— Claro que tem. Você tem a mim.
— Como é que eu nunca te vi antes?
— Porque eu estava morando em um lugar muito longe, acabei de voltar.
Natália não disse mais nada.
Naiara pensou que ela estava cansada e começou a organizar as compras.
— Irmã.
Naiara parou o que estava fazendo.
— Oi?
— Meu pai morreu mesmo?
O próprio hospital conseguiu resolver a situação.
...
José encerrou a ligação e fez seu relatório com seriedade.
— Senhor Afonso, tudo resolvido.
O homem estava parado diante da enorme janela panorâmica, com uma taça de vinho na mão e um olhar profundo. O terno de alta costura, com seu corte impecável, o deixava com uma postura ainda mais imponente.
José parou um passo atrás dele.
— O Dr. Pereira voa para Rio Belo amanhã de manhã. Já arrumei um carro para buscá-lo no aeroporto.
A voz de Afonso manteve seu tom frio e sereno.
— Certo.
— Senhor, eu não entendo.
— Fale.
— Se o senhor está ajudando a Senhorita Naiara, por que fazer isso pelas costas? Qual seria o problema se ela soubesse?
O homem girou levemente o vinho tinto na taça e deu um pequeno gole.
O vinho tinha um retrogosto doce.
Mas, para ele, desceu um pouco amargo.
— Se ela não souber... viverá mais tranquila.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...