— Naiara.
Afonso se virou, os olhos transmitindo uma serenidade gélida.
— Eu tenho uma noiva, como você sabe.
Naiara apertou levemente os lábios.
— Eu sei.
— Hum.
E, depois disso, o silêncio absoluto reinou.
Naiara pensou e repensou, mas simplesmente não conseguia entender o que aquele "hum" significava.
— Tranque bem a porta. Vou te dar o dia de folga amanhã, aproveite para descansar.
Após largar essas palavras, Afonso foi embora sem olhar para trás.
Atônita, Naiara trancou a porta. Sentia um aperto estranho no peito.
Mas ela não conseguia explicar a razão daquela melancolia repentina.
No dia seguinte.
Naiara foi acordada pelo som estridente da campainha. Ao checar a hora, viu que eram quase dez da manhã.
Vestiu um casaco por cima do pijama e foi atender.
Um entregador lhe estendeu uma sacola consideravelmente grande.
— Srta. Naiara, aqui está o seu delivery.
Naiara franziu a testa.
— Deve haver algum engano. Eu não pedi nada.
— Não tem erro, não. O endereço e o número da porta batem. A senhora é a Srta. Naiara, não é?
Naiara conferiu o recibo preso à embalagem.
O endereço estava correto. Mas ela tinha certeza de que não havia feito nenhum pedido.
Só de olhar para a embalagem, ela já sabia do que se tratava.
Era de uma famosa casa de caldos muito tradicional em Rio Belo.
— Esse restaurante não faz delivery, faz?
— Isso eu já não sei — explicou o entregador. — Só sei que alguém solicitou um serviço de mensageiro, pediu para eu retirar a comida no restaurante e trazer para este endereço.
— E quem foi que fez o pedido?
O rapaz olhou a tela do celular.
— Um senhor chamado Lucca.
Carlos?
— Carlos, eu sou muito grata por você ter ido me salvar ontem, mas isso não significa que a nossa relação possa ter essa intimidade.
Em vez de se irritar, ele riu de novo.
— Não combinamos que seríamos amigos de agora em diante?
— Mesmo como amigos, seria apenas uma amizade comum.
Que amigo comum mandaria comida com tantos mimos na manhã seguinte?
— Carlos — advertiu ela com seriedade. — Não faça mais esse tipo de coisa, eu não gosto. Se eu fui pacífica com você ontem à noite, foi puramente porque você de fato me salvou e eu te devia um agradecimento. Mas vamos separar as coisas. Não quero que você entenda nada errado.
Carlos respondeu com uma suavidade surpreendente para o seu gênio.
— Eu não entendi nada errado. É só uma atitude de amigo, mais nada. Bom, eu tenho uma reunião agora, preciso desligar. Lembre-se de tomar o café da manhã. Mais tarde passo aí para te pegar, ainda precisamos ir à delegacia dar os depoimentos.
Naiara deixou escapar um suspiro pesado.
Sua mente estava um caos, a ponto de quase esquecer que havia sido sequestrada no dia anterior.
O entregador, que ainda segurava a sacola pesada, pigarreou depois de esperar todo esse tempo.
— Srta. Naiara, poderia assinar o recibo, por favor?
Naiara pegou o papel, assinou e devolveu junto com a caneta. Mas, em vez de pegar a sacola, ela sorriu fraco.
— Pode ficar para você. Aproveite o almoço.
Ela não tinha a menor vontade de saborear os mimos de Carlos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...