O próprio Carlos não sabia explicar por que havia recuado.
Seu desejo, até instantes atrás, era intenso.
Mas, no exato momento em que estava prestes a possuí-la, uma aversão inexplicável tomou conta do seu peito. E essa repulsa foi o suficiente para extinguir qualquer chama de luxúria que restasse.
Carlos tinha a absoluta convicção de que não havia nada de errado com seu corpo. O problema, ao que tudo indicava, estava em sua mente.
Assim que chegou à porta do quarto, ouviu o choro estridente da criança.
César Lucca andava bastante agitado naquelas últimas noites. Karina sempre colocava a culpa no feng shui da casa. De repente, Carlos também começou a achar que talvez fosse hora de se mudarem o mais rápido possível.
No quarto, a babá ninava o bebê nos braços.
Ao notar a presença de Carlos, ela se apressou em cumprimentá-lo.
— Sr. Carlos.
Ele apenas murmurou um som de assentimento, com o olhar fixo nos traços do rosto da criança.
De fato, o bebê guardava certas semelhanças com Adriana. Mas, com ele, não parecia haver qualquer traço em comum.
— Com quem você acha que ele se parece? — perguntou Carlos.
A babá não pensou muito e respondeu com sinceridade.
— Acho que puxou mais à senhora.
— E comigo? — insistiu ele.
A mulher observou a criança por um momento.
— Bem, ele não se parece muito com o senhor, Sr. Carlos, mas o pequeno ainda é muito novinho. Já vi vários bebês que, quando recém-nascidos, são a cara da mãe, mas à medida que crescem vão ficando cada vez mais parecidos com o pai.
O olhar de Carlos permaneceu cravado no rosto de César por mais um longo tempo antes que ele finalmente se afastasse.
Pátio do Luar.
A luz deslumbrante e luxuosa do lustre de cristal refletia as silhuetas de um casal que, à primeira vista, parecia feito um para o outro.
Naiara levou o copo aos lábios para beber. Foi só então que percebeu que já estava vazio.
— Quer que eu sirva mais um pouco? — perguntou Afonso.
— Não precisa, já não estou mais com sede — respondeu ela, visivelmente sem graça.
Na verdade, ela nem sequer estava com sede. Beber água era apenas uma forma de aliviar a sensação de não saber o que fazer consigo mesma.
Afonso apoiou o celular sobre a mesa de centro.
— Por que ainda está acordado a essa hora?
— E tem como dormir?! O José me mandou uma mensagem que quase me fez ter um infarto! Afonso, a Naiara está bem?
Afonso cruzou as mãos, mantendo a expressão neutra.
— Era mais fácil você ter ligado direto para ela.
Fábio deu uma risadinha nervosa.
— Ligar para você ou para ela não é a mesma coisa? A vida dela vale mais que a sua para você! O José me disse...
Afonso soltou algumas tosses falsas para interrompê-lo.
Fábio nem se tocou e continuou com entusiasmo:
— O José me contou que você jogou a própria vida pro alto por causa da nossa Naiara! Olhando agora, vejo que não chego nem aos seus pés. Se fosse eu no seu lugar, juro que teria hesitado pelo menos um segundo. Mas o José jurou que você nem piscou antes de se jogar!
Afonso fechou a mão em punho, levou-a aos lábios e tossiu de novo, mais forte.
— Afonso, você está com dor de garganta? Ou se machucou em algum lugar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...