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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 489

Todas as luzes do porão estavam acesas, mas nem isso foi capaz de afastar o frio cortante que penetrava em seus ossos.

Adriana estava encolhida no sofá.

Suas lágrimas já haviam secado, deixando em seu coração apenas um misto de injustiça e ódio.

Ela se lembrou de que Naiara também havia sido trancada naquele mesmo porão.

Naquela época, ela até comemorou secretamente. Uma pena que o castigo de Naiara durou pouco; logo apareceu aquele Sr. Leonardo, que queria bajular a família Lucca, e a resgatou.

A sorte daquela mulher era revoltante. Nos momentos mais críticos, sempre parecia haver alguém para salvá-la.

E hoje, quem viria salvá-la?

Um ruído na porta fez Adriana tremer de susto. Franciely havia morrido naquela casa. Se até Karina vivia apavorada, era óbvio que Adriana também morria de medo.

Quando viu que era Carlos quem entrava, Adriana finalmente relaxou. Mas perdeu completamente a vontade de correr para os braços dele.

O que aquele homem havia feito com ela a deixou com o coração gelado.

Carlos parou diante dela, olhando-a de cima, sem um pingo de afeto nos olhos.

— Por que você chamou a polícia?

Adriana abraçou os próprios joelhos, sem sequer levantar a cabeça.

— Fiquei preocupada com você.

— Preocupada comigo? Ou tinha outra intenção por trás disso?

Os dedos de Adriana cravaram na própria pele. Uma dor aguda apertou seu peito.

— Eu só estava preocupada com você, de verdade. Fiquei com medo de que os sequestradores te machucassem, e por isso, depois de muito pensar, decidi chamar a polícia.

Carlos sentou-se ao lado dela. O estalo do isqueiro ecoou pelo porão e ele acendeu um cigarro.

— Adriana, eu sempre te disse que não gosto de mulheres complicadas demais.

Adriana ergueu a cabeça lentamente, e as lágrimas voltaram a cair contra a sua vontade.

— Não é que você não goste de mulheres complicadas. Você simplesmente não gosta mais de mim.

Os dedos de Carlos, que seguravam o cigarro, hesitaram por uma fração de segundo.

— Você está pensando demais.

Adriana soluçou.

Antes de entrar ali, Carlos havia imaginado várias reações da parte dela. Choradeira incessante. Ou um barraco histérico. Mas a última coisa que esperava ouvir era que ela iria embora.

Por um momento, Carlos ficou sem palavras.

— Carlos. — Adriana olhou para ele com os olhos vermelhos, mas cheios de um suposto amor profundo. — Eu te amo. Por isso, não suporto te ver num dilema por minha causa. Já que você não me ama mais, é melhor eu ir embora com o César. Assim, você não precisará se casar comigo contra a sua vontade.

— Você estará livre para se casar com quem realmente deseja.

— Eu sei que ela já ocupa um lugar no seu coração. Você quer reatar o casamento com ela, não quer?

A palavra "quero" quase escapou da boca de Carlos.

Ele encarou a brasa vermelha na ponta do cigarro, com a mente um tanto perturbada.

— É isso mesmo o que você quer fazer?

Adriana assentiu com convicção.

— Sim. É exatamente o que eu decidi.

Ela ergueu o rosto, olhou em volta com um sorriso triste e continuou:

— No fundo, você ter me trancado aqui não foi de todo ruim. Pelo menos tive tempo de ficar sozinha, acalmar a mente e pensar na vida. Foi assim que tomei a minha decisão.

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