Carlos estava no escritório guardando suas coisas.
Em dois dias, a transportadora chegaria.
A família se mudaria para um bairro nobre na zona sul.
Adriana entrou segurando o bebê.
Assim que ela cruzou a porta, o celular de Carlos tocou.
O visor mostrava um número desconhecido.
Carlos atendeu no viva-voz, deixou o aparelho sobre a mesa e continuou arrumando suas coisas.
— Sr. Carlos, sou eu, Afonso.
Carlos paralisou.
Afonso?
Por que ele estaria ligando?
Aquilo era uma raridade.
— A que devo a honra, Sr. Afonso? O que o traz aqui?
Afonso foi direto ao ponto.
— Vou te perguntar apenas uma coisa: Naiara procurou você?
Carlos soltou uma risada fria.
— Sr. Afonso, você não acha que está se intrometendo demais...
— Naiara desapareceu.
O objeto nas mãos de Carlos caiu no chão abruptamente.
— O que você disse?
— Naiara está desaparecida há quase três horas.
O coração de Carlos apertou.
— Já tentou ligar para ela?
— Se eu conseguisse falar com ela, não estaria ligando para você.
Procurar Carlos já era o último recurso de Afonso.
Se houvesse qualquer outra alternativa...
Ele jamais teria feito aquela ligação.
Carlos sentiu que algo estava errado e, em uma atitude rara, baixou a guarda.
— Ela disse que viria pegar algumas coisas, mas avisou que estaria ocupada e viria em alguns dias. Então, não nos vimos.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
— Sr. Carlos, há algo que você precisa saber.
Adriana se aproximou.
Num reflexo, Carlos pegou o celular, desligou o viva-voz e levou o aparelho ao ouvido.
— Fale.
Segundos depois.
As sobrancelhas de Carlos se franziram com uma intensidade nunca vista antes.
Adriana engoliu o ciúme e fingiu preocupação.
— Carlos, aconteceu alguma coisa com a Naiara?
Os olhos de Carlos escureceram, profundos como um abismo.
Apavorado de nunca mais vê-la.
Maldição!
Carlos tentou ligar para Naiara.
Desligado!
Carlos quis arremessar o celular longe de tanta raiva.
Mas se conteve.
Inexplicavelmente, a voz de Naiara ecoou em sua mente.
Ela havia dito: Carlos, você já é bem crescido, precisa aprender a controlar suas emoções.
Sim, sim, sim.
Ele precisava controlar suas emoções.
Não podia se desesperar!
O desespero não ajudaria em nada.
Mas a força de suas mãos não diminuiu nem um pouco.
Adriana franziu a testa de dor.
— Carlos! — Adriana gritou, perdendo a paciência. — Você está me machucando!
Carlos a soltou.
— Você se encontrou com o seu pai recentemente?
Adriana esfregou os ombros, sentindo-se injustiçada e furiosa.
— As visitas estão temporariamente proibidas agora. Como eu iria vê-lo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...