Bem na hora, a esposa do reitor trouxe as frutas, olhando para Naiara com uma expressão carinhosa.
— Meu marido ainda fala de você de vez em quando. Lembra que naquela época você vivia representando a universidade em competições internacionais e trazia muito prestígio para nós.
Naiara já não tinha cabeça para os elogios. Toda a sua atenção estava presa à última frase do reitor.
A pausa do velho reitor foi, na verdade, proposital. Ele percebeu a ansiedade de Naiara e sorriu com um brilho travesso no olhar.
— Mas agora sou eu quem pergunto: depois de tantos anos, o que deu em você para vir atrás dessa história?
Naiara não escondeu e foi sincera.
— Eu trabalho na empresa do Afonso agora. Tem algumas coisas que preciso esclarecer.
O reitor: — Quer esclarecer se ele gostava de você?
Naiara: — Sim.
O reitor tomou um gole de chá, sem pressa.
— A resposta dele, na época, foi não.
Ao ouvir isso, Naiara não soube descrever o que sentiu. Não era exatamente decepção. Tampouco tristeza. Era uma sensação estranha.
— Ele disse que não. Mas o olhar dele quando falava de você, carregado de sentimento... os olhos não mentem.
O velho reitor deu uma risada suave.
— Como alguém que já viveu muito, se eu não conseguisse perceber isso, meus anos de vida teriam sido em vão.
Ao se despedir, o reitor falou do fundo do coração:
— Aquele rapaz é uma joia rara e está à sua altura. Se você também sente algo, não deixe essa chance passar.
O coração de Naiara estava um caos.
Ela ligou para Isadora, mas ninguém atendeu.
Naiara parou o carro no acostamento, sem saber para onde ir. Só quando Isadora retornou a ligação, percebeu que havia ficado meia hora encarando o nada.
A voz de Isadora soava fraca, sem energia.
— Oi, Naiara. O que foi?
Naiara: — Você não está bem?
Isadora: — Estou bem. Só bebi um pouco.
Bebendo sozinha em casa?
Naiara: — Estou indo aí te ver.
Isadora soltou um soluço alcoólico.
— Você nunca deixaria sua casa nesse estado, nunca beberia sozinha para afogar as mágoas, muito menos faltaria ao trabalho sem motivo.
— Não faltei sem motivo. Só estou cansada e não quis trabalhar.
— Cansada fisicamente ou emocionalmente?
A mão de Isadora parou por um segundo.
— Os dois.
Naiara: — É por causa do Fábio?
Isadora deu um riso frio.
— Quem ele pensa que é? Acha que eu perderia meu tempo ficando irritada por causa dele?
Naiara suspirou baixinho.
— Isadora, eu conheço o gênio do Fábio.
Fábio era orgulhoso por natureza, nunca abaixaria a cabeça para os outros facilmente. Se tomou a iniciativa de ceder para Isadora, era porque ainda valorizava a amizade entre eles. O problema era que Isadora não entendia isso e não queria dar a ele uma chance de se redimir.
— Ele já cedeu bastante. Por que você tem que...
— Naiara — cortou Isadora, com um tom de impaciência na voz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...