Enganada pelo próprio pai biológico, ela achava que era a única herdeira adorada, sem fazer ideia da existência de uma horda de irmãos.
Adriana não sabia de absolutamente nada.
Felizmente, a filha favorita de Wilson sempre fora Adriana.
Caso contrário, aqueles irmãos teriam devorado a garota ingênua até os ossos.
Afonso colocou as mãos nos bolsos e parou ao lado de Naiara. Os dois ficaram ombro a ombro.
— Toda pessoa digna de pena tem um lado desprezível.
Naiara concordou levemente com a cabeça.
— Você tem razão.
— Ela te machucou agora há pouco? — perguntou Afonso.
— Não.
Houve um silêncio de alguns segundos.
— Afonso.
— Hum?
— Você sempre foi tão cauteloso assim?
Afonso, sem entender o que ela queria dizer, olhou-a fixamente.
Naiara deu um leve sorriso.
— Não sei se é impressão minha, mas você parece estar mais preocupado com o bebê na minha barriga do que eu mesma.
Afonso hesitou por um instante antes de falar, com a voz pausada.
— Não é com o bebê que estou preocupado.
É com...
No momento em que seus olhares se cruzaram, a resposta tornou-se evidente, dispensando palavras.
O coração de Naiara, de repente, acelerou.
Ele simplesmente a observava, em silêncio, com um olhar focado, profundo e carregado de um afeto contido.
Aquele olhar fez o coração de Naiara estremecer.
Era como se uma força invisível enlaçasse a sua visão, prendendo-a ao rosto dele de forma quase cobiçosa.
Foi só quando sentiu que o coração ia saltar pela boca que Naiara se deu conta do quão inadequado havia sido o seu comportamento.
Afonso quebrou a quietude entre os dois.
— Vamos. A madrinha já terminou de tomar o soro e está nos esperando.
Naiara recolheu seus pensamentos.
— Vamos.
Do outro lado.
Adriana foi arrastada para a escadaria de emergência.
Desde quando Carlos chamava aquela mulher assim?
Agora que estavam divorciados, ele a chamava com tanta intimidade!
Carlos a observou com frieza.
— Suas emoções andam muito instáveis ultimamente.
Adriana gritou, com a voz embargada:
— E a culpa é sua! Você me levou a isso!
Adriana limpou as lágrimas do rosto e ergueu o queixo, cravando os olhos em Carlos.
— Carlos! Por quê?
Ele deu dois passos para trás, tirou o maço de cigarros do bolso e tentou acender um.
Mas o maço estava vazio.
Frustrado, amassou a caixa e atirou-a no chão com força.
Desde o momento em que vira Naiara com outro homem, agindo de forma tão livre, radiante e carinhosa, o humor de Carlos não fora mais o mesmo.
Agora, com o escândalo de Adriana, sua irritação apenas transbordava.
— Por que o quê?
— Antes de acontecer aquilo com o meu pai, sua atitude já havia mudado. Você já não me tratava como antes. Afinal, por quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...