Era simplesmente porque sua mente não estava ali naquele momento.
Estar de estômago cheio traz sono.
Não demorou muito para Naiara começar a cochilar na cadeira.
Ao ver a cena, Belmira deu um tapinha em Afonso, sinalizando para ele olhar.
Vendo que a cabeça de Naiara estava prestes a pender para o lado, Afonso foi rápido e a amparou firmemente com a mão.
Em seguida, sentou-se ao lado dela e acomodou a cabeça de Naiara em seu próprio ombro.
Com um apoio, Naiara entrou de vez no mundo dos sonhos.
Um homem bonito e uma mulher linda, encostados um no outro, formavam uma cena realmente agradável de se ver.
Uma pessoa sentada em frente não pôde deixar de expressar inveja:
— Esses são seu filho e sua nora, não é? Que casal lindo, combinam perfeitamente.
Belmira ia dizer: "Quem dera eu tivesse tanta sorte".
Mas acabou respondendo:
— Não são meu filho e minha nora, são minha filha e meu genro.
A pessoa do outro lado sentiu ainda mais inveja.
— Sua filha é belíssima, não me admira que tenha encontrado um marido tão bonito.
Belmira ficou feliz em ouvir aquilo.
— É verdade, minha filha é realmente linda. Não é mesmo, Afonso?
Afonso respondeu com um "uhum" extremamente calmo.
O sorriso de Belmira ia de orelha a orelha.
A pessoa parecia não se cansar do assunto:
— Sendo os dois tão bonitos assim, o filho deles com certeza será maravilhoso.
Belmira sorriu sem dizer nada, e seu olhar pousou no perfil dos dois.
Um par perfeito, feitos um para o outro.
Era exatamente isso.
Apenas era uma pena que...
Nos olhos escuros do homem fluía o brilho das estrelas, carregando uma ternura que ele raramente demonstrava no dia a dia.
Uma ternura direcionada exclusivamente a uma única pessoa.
Belmira desviou o olhar e suspirou intimamente.
Muito tempo se passou.
A pessoa adormecida murmurou baixinho, mexeu o corpo e sua cabeça escorregou do ombro.
O calor e o toque firme que sentiu na bochecha a fizeram despertar.
Naiara abriu os olhos e percebeu que estava praticamente agarrada em Afonso.
A mente ainda sonolenta foi despertando aos poucos, e ela logo se afastou.
— Eu dormi?
— Uhum.
As perguntas e respostas curtas soavam tão familiares e naturais quanto as de um casal de longa data.
Havia um banheiro dentro da própria sala de infusão.
Mas havia várias pessoas na fila.
Com preguiça de esperar, Naiara foi ao banheiro de fora.
Ao terminar de usar o banheiro, enquanto estava parada lavando as mãos, ergueu o rosto e viu um reflexo no espelho.
Os olhos de Adriana a fitavam como se encarassem uma inimiga mortal.
Aquele olhar fez os pelos de Naiara se arrepiarem.
Ela não conseguia entender.
Pela lógica, havia sido Adriana quem destruíra seu casamento. Era Naiara quem deveria odiá-la.
Mas por que Adriana parecia odiá-la ainda mais?
Adriana parecia abatida.
Afinal, ir do céu ao inferno da noite para o dia era algo que qualquer pessoa acharia insuportável.
Mas Naiara não era nenhuma santa e não tinha a menor intenção de sentir pena dela.
Terminou de lavar as mãos, secou-as e preparou-se para sair.
Foi então que Adriana abriu a boca, com o rosto gélido:
— O filho que você está esperando... é do Carlos, não é?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...