— O que tem o Sr. Afonso e eu?
Belmira fez uma pausa antes de transformar a pergunta num sorriso leve.
— Nada, só acho que vocês se dão muito bem.
Naiara não viu maldade na observação.
— Sim, nós temos muitas coisas em comum e dividimos os mesmos interesses. É fácil conversar com ele.
— E o que você acha do Afonso como pessoa?
Naiara piscou, surpresa.
— Madrinha, por que a senhora está me perguntando isso também?
Belmira manteve o sorriso amigável.
— Quem mais te perguntou isso?
— A Isadora.
— Aquela sua amiga inseparável?
— Uhum.
— E o que você respondeu para ela?
Naiara pensou por um longo momento.
— Esqueci.
Ela riu logo em seguida.
— Dizem que a gravidez deixa a gente com a memória ruim por um bom tempo. Tenho esquecido de muita coisa ultimamente. Acho que estou ficando boba.
Belmira a olhou com carinho, como quem olha para uma criança inocente.
— É, para mim você parece mesmo uma bobinha.
Naiara fez um bico adorável.
— É sério?
Belmira afagou o cabelo dela.
— Mas só é boba em um assunto específico. Para o resto, continua muito inteligente.
— Que assunto?
Belmira apenas sorriu, preferindo não responder.
Naiara insistiu.
— Ah, madrinha, me conta. Em qual assunto eu fiquei boba?
Belmira decidiu que era melhor deixar as coisas como estavam. Havia certas verdades que, se trazidas à tona cedo demais, só criariam constrangimentos. Melhor manter o silêncio.
— Eu acho que deve doer muito.
Belmira perdeu as palavras por um segundo, sem saber como confortá-la.
— Não tenha medo. Quando a hora chegar, eu e o seu padrinho estaremos lá com você.
— Eu... — Afonso começou a falar, mas parou no meio da frase.
Naiara e Belmira olharam para ele, esperando que concluísse o pensamento.
O silêncio se esticou, e Belmira perdeu a paciência.
— O que foi, Afonso? Pare de enrolar e fale logo.
A expressão de Afonso tornou-se sutilmente desconfortável.
— Quando o bebê nascer, eu poderia dar uma olhada?
Belmira caiu na gargalhada.
— Menino bobo, todos nós estaremos lá no hospital para acompanhar a Naiara. É claro que você vai ver o bebê quando nascer.
— Mas eu... — Afonso pigarreou — queria ser o primeiro a ver.
Naiara, que estava no meio de uma mordida na batata-doce, parou. Com a boca entreaberta e os olhos arregalados de surpresa, ela perguntou:
— Por quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...