Naiara balançou a cabeça.
— Não vou.
Não se encontrarem era, sem dúvida, a melhor saída.
Belmira soltou um suspiro suave.
— Talvez seja melhor assim. Se você fosse, o clima seria inevitavelmente constrangedor. Agora que ele já partiu, os ressentimentos entre vocês podem ser deixados no passado. Daqui para frente, o importante é focar em viver bem a sua vida.
O relógio na parede marcava exatamente oito horas.
Já havia se passado uma hora inteira.
E Afonso ainda não tinha chegado.
Durante esse tempo, Belmira até pensou em ligar para ele, mas Naiara a impediu.
Ela temia que Afonso interpretasse a ligação como uma cobrança, o que poderia fazê-lo dirigir com pressa e colocar a própria segurança em risco.
Sobre a mesa de jantar, a comida ia perdendo o calor aos poucos.
Naiara não aguentou mais a ansiedade e decidiu ligar para ele.
Para sua surpresa, o celular de Afonso estava desligado.
Seu coração apertou na mesma hora. Sem pensar duas vezes, discou para José.
Os dois eram praticamente inseparáveis.
A chamada foi atendida rapidamente.
— Senhorita Naiara?
Naiara tentou manter a voz firme.
— Onde está o Afonso?
José pareceu surpreso do outro lado da linha.
— Ele não foi encontrar a senhorita?
Naiara paralisou por um instante.
— Ele não chegou.
— Como assim? — José questionou, confuso. — Nós nos separamos antes das sete. Ele disse que iria em casa apenas trocar de roupa e já iria encontrá-la. A essa hora, já deveria estar aí.
As bizarrices e incidentes dos últimos dois dias já haviam deixado Naiara com os nervos à flor da pele.
— Ele não chegou e o celular está direto na caixa postal.
A tensão contagiou José imediatamente.
— Desligado? Mas isso não faz sentido. O senhor Afonso deixou claro que deixaria o celular ligado vinte e quatro horas por dia, com medo de que você precisasse dele e não conseguisse falar.
Naiara ficou atônita.
Não havia tempo para questionar a veracidade das palavras de José; a única coisa que importava agora era a preocupação sufocante.
— Você tem como localizá-lo?
Ao terminarem, Belmira não sabia muito bem o que dizer.
Temendo que sua ansiedade estragasse a noite dos anfitriões, Naiara tomou a iniciativa de se despedir.
— Madrinha, acho que já vou indo.
Belmira não insistiu para que ela ficasse. Apenas virou-se para Breno e recomendou:
— Por favor, cuide bem dela.
Breno assentiu com seriedade.
— Fique tranquila. São ordens diretas do senhor Afonso.
Belmira lançou um olhar instintivo para Naiara.
Ela fez questão de acompanhá-los até a porta. Somente ao voltar para dentro, deixou escapar um longo suspiro.
— Ai, Leonardo...
Leonardo, que lavava a louça na cozinha, parou o que estava fazendo ao ouvir o suspiro da esposa e foi até a sala.
— Hoje é o seu aniversário. É proibido suspirar de tristeza.
Mas Belmira não conseguiu evitar outro suspiro.
— Você percebeu?
Décadas de casamento haviam aperfeiçoado a sintonia entre os dois.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...