Carlos não disse nada. Apenas sentou-se no sofá, cruzou as pernas e colocou um cigarro entre os lábios.
O clique metálico do isqueiro ecoou, seguido por uma pequena chama.
E, com ela, acendeu-se também a fúria de Franciely.
— Carlos! Que comportamento é esse?! Como ousa fumar no quarto da sua avó?! Não está vendo que estou doente?! Você perdeu completamente o respeito!
O grito furioso de Franciely assustou Karina, que acabara de chegar à porta, fazendo-a entrar às pressas.
— Mãe, o que está acontecendo?
Franciely apontou o dedo trêmulo para Carlos.
— Olhe só para o maravilhoso filho que você criou! Ele veio aqui de propósito para me irritar, não foi?!
Karina correu até Carlos, sem pensar duas vezes.
— Carlos, por que você está irritando a sua avó de novo? Peça desculpas imediatamente!
Havia um cinzeiro ali perto, mas Carlos simplesmente bateu as cinzas do cigarro no chão.
— Desde que eu era criança, já pedi desculpas vezes suficientes. Se ela não se cansa de exigir, eu já estou exausto.
A reação de Carlos deixou Franciely atônita.
Por mais rebelde que seu neto fosse desde pequeno, ele jamais ousaria falar com ela daquele jeito.
Karina entrou em pânico na mesma hora.
— Carlos, que absurdo você está dizendo? Meça as suas palavras!
Carlos recostou-se preguiçosamente no encosto do sofá, com um olhar distante e frio.
— Eu estou cansado.
A frase repentina fez Karina paralisar.
— Carlos...
— Eu disse! — O olhar de Carlos gelou e sua voz subiu de tom instantaneamente. — Eu estou cansado! Não consegue entender?
Tanto Karina quanto Franciely ficaram mudas por um longo momento.
O homem à frente delas parecia um cavalo selvagem que se soltara das rédeas, completamente fora de controle.
Karina ficou ainda mais chocada que Franciely.
Logo após perguntar, ela se apavorou e tentou se justificar freneticamente.
— Mãe! Não fui eu quem contou a ele! Eu jamais diria isso! Eu jurei naquela época que, se abrisse a boca, que um raio me partisse! Mãe, você sabe que eu sou a que mais acredita nessas superstições, eu nunca contaria!
O rosto de Franciely ficou mortalmente pálido. Ofegante, ela o interrogou:
— Então como ele descobriu?! Hoje, além de você e de mim, não há uma terceira pessoa viva que saiba disso! Se não foi você quem disse, quer dizer que fui eu?!
Karina estava desesperada, sentindo-se injustiçada.
— Mãe, eu juro por Deus que não fui eu!
Ela se virou e deu um tapa no braço de Carlos.
— Carlos! Quem foi que te contou essas coisas?!
Os olhos de Carlos tornaram-se duas pedras de gelo, e ele apertou os lábios com força.
Então era mesmo... verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...