— Esqueça, eu perdi a cabeça de tanta raiva. Sei que você está se desdobrando. Assim que resolvermos essa crise da Vitória, tire uns dias de férias e vá viajar com a Adriana.
A clássica tática de bater e depois assoprar.
Do início ao fim, Carlos não proferiu uma única palavra.
Mas, naquele momento, o silêncio soava mais ensurdecedor do que qualquer grito.
Adriana sentiu uma pontada de incerteza. Carlos parecia diferente.
O que exatamente havia mudado, ela não sabia dizer.
Wilson anunciou que precisava ir embora.
Adriana aproveitou a deixa para acompanhá-lo.
Assim que passaram pela porta da mansão, Adriana não aguentou mais. Com os olhos marejados de desespero, sussurrou:
— Pai, por que você fez isso?
Wilson afagou o cabelo da filha.
— Assuntos de negócios. Não se meta.
— Pai! Se eu imaginasse que você entregaria o vídeo para a polícia, eu jamais teria te dado a gravação!
— Quando o Carlos descobrir que fomos nós que entregamos a prova, ele vai me odiar para o resto da vida!
Um sorriso enigmático surgiu nos lábios de Wilson.
— Fique tranquila. Ele não vai te odiar.
Os olhos de Adriana ficaram vermelhos de raiva e aflição.
— Pai! Onde você quer chegar com isso? O meu casamento com o Carlos está logo ali! Por que fazer uma loucura dessas justo agora?
O olhar de Wilson endureceu.
Por quê?
Porque aquela mulherzinha o encurralou!
A intenção inicial era guardar a prova a sete chaves, usando-a como trunfo para manter a família Lucca em suas mãos no futuro.
É claro que ele não seria burro de implodir a família às vésperas do casamento de Adriana.
O casamento era a prioridade.
Mas os planos saíram dos trilhos.
As coisas não seguiram o roteiro que ele havia traçado.
Agora, ele também estava de mãos atadas.
Quem diria que uma órfã insignificante da família Jasmim causaria um estrago tão colossal!
O sobressalto de Adriana ao ver Carlos aparecer de repente quase a fez perder o equilíbrio.
— Carlos...
A expressão de Carlos era indecifrável.
Era uma calma aterradora, como as nuvens negras que engolem o céu antes de uma tempestade.
Carlos rebateu: — Tentando mudar de assunto?
— Se eu disser que fiz isso por você, o senhor acreditaria? Ou melhor, pelo seu futuro e o da Adriana.
— Por mim? Há! — Carlos soltou uma risada gélida. — O Sr. Wilson está muito brincalhão hoje.
Wilson cruzou as mãos nas costas, assumindo uma postura de superioridade.
— E se eu te contasse que, no testamento da sua avó, a única fatia da herança destinada a você é a Tecnologia Vitalis? Você engoliria isso calado?
Carlos ficou estupefato.
Isso era impossível!
A avó havia jurado que, assim que ele oficializasse a união com Adriana, entregaria as rédeas de todo o império em suas mãos.
E outra, como diabos Wilson saberia o teor do testamento?
Carlos obviamente não acreditaria naquilo.
— E se eu acrescentar que a Vitória não é filha da mesma mãe que você...
Wilson abriu um sorriso maquiavélico.
— O senhor também não acreditaria?
O choque paralisou Carlos por longos segundos.
— O que você acabou de dizer?!
— O que ouviu. Basta ir perguntar à sua mãe. O túmulo que ela fez da própria boca durante todos esses anos é admirável. Não deixou escapar uma única sílaba.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...