O homem, que não parecia ter o hábito de sorrir, fez uma leve reverência.
— Senhorita Naiara.
— A mando do senhor Fábio ou do senhor Afonso? — perguntou ela.
O sujeito não exalava nenhuma ameaça; parecia mais um guarda-costas do que um perseguidor.
— Do senhor Afonso.
Uma onda de emoções complexas invadiu Naiara.
Seria mais comoção ou profunda gratidão?
Já dentro de seu próprio carro, Naiara ficou olhando para o nada por alguns instantes.
Organizando os pensamentos, pegou o celular e ligou para Afonso.
O outro lado da linha estava em absoluto silêncio.
— Não está na feira hoje? — perguntou ela. — Está tão silencioso por aí.
Afonso caminhou até as janelas panorâmicas com o celular na mão. Sua figura esguia exibia uma postura impecável, embora houvesse um traço de cansaço em seus olhos.
— Hoje é o último dia. Decidi não ir, estou no hotel.
Naiara enrolou uma mecha de cabelo no dedo, hesitando por alguns segundos antes de falar.
— Por que mandou alguém me proteger?
— O torneio está chegando. Não quero que nenhum imprevisto aconteça, já que essa competição internacional terá um impacto enorme para a empresa.
A justificativa era lógica e inquestionável.
Ainda assim, o coração de Naiara deu um salto.
Mas ela não ousava pensar demais.
Fantasiar sobre isso inevitavelmente a faria se sentir uma tola iludida.
— Wilson marcou um encontro comigo ontem, por isso saí hoje cedo.
— Hum.
Naiara fez uma pausa.
— Não te contei ontem porque não queria te preocupar e, mais do que isso, eu queria resolver essa parte sozinha.
— Eu já disse que comigo você é absolutamente livre. Não precisa me reportar cada passo seu.
Um calor reconfortante espalhou-se pelo peito de Naiara.
— Obrigada, Afonso.
Em vinte e oito anos de vida, era a primeira vez que recebia tamanha compreensão e cuidado. Parecia quase irreal.
E a deixava um tanto apreensiva.
Ela espantou aqueles pensamentos.
— Eu hackeei o computador pessoal do Wilson. Peguei todas as provas dos crimes dele. Em troca, ele me entregou o vídeo da Vitória dirigindo embriagada e causando a morte da minha mãe.
O fechamento prolongado estava causando um rombo financeiro.
Mal haviam chegado ao destino quando receberam a ligação de Adriana.
Adriana chorava histericamente, avisando que Vitória havia sido presa.
O que a hipócrita Adriana nem imaginava era que as provas cruciais tinham sido entregues pelo seu próprio pai, enquanto ela continuava se deleitando com o divórcio público de Naiara e a família Lucca.
O celular de Naiara estava quase explodindo de tantas ligações de Carlos.
Ela rejeitou todas e o bloqueou.
Logo depois, a delegacia ligou, e dessa vez ela atendeu.
— Senhora, a família da acusada solicitou um encontro com você.
Naiara negou friamente.
— Qualquer assunto será tratado única e exclusivamente pelo meu advogado. E, por favor, avise à família que eu não vou assinar nenhum acordo de leniência. Exijo que a pessoa que fugiu do local do crime pague perante a lei.
Naiara já sabia exatamente qual era o joguinho da família Lucca.
Deixaria tudo nas mãos do advogado; não moveria uma palha para encontrá-los.
Estava enojada demais daquela gente que achava que dinheiro comprava absolvição.
No fim de semana.
Com o grande peso finalmente tirado de suas costas, Naiara se permitiu um luxo raro: dormiu até tarde num sono profundo e tranquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...