Pacífico... continuam amigos...
Que discurso mais hipócrita e rebuscado.
O Pátio do Luar não passava de um apartamento comum, e eles ainda tinham o descaramento de agir como se estivessem sendo generosos.
A palavra "vergonha" havia sido completamente apagada do dicionário da família Lucca.
Naiara sentiu vontade de rir.
Carlos puxou o celular da mão dela e, ao terminar de ler a matéria, seu rosto assumiu uma expressão terrível.
— Se eu disser que nada disso foi minha intenção, você acredita em mim?
Naiara abaixou os olhos, os lábios se curvando num sorriso que não chegava aos olhos.
— Acredito.
Um brilho de alegria cruzou o olhar de Carlos.
— Você acredita em mim?
— Sim, eu acredito.
— Você...
— Mas faz alguma diferença? — ela cortou com frieza. — Você não impediu. Você permitiu que isso acontecesse e deixou que a sua família sujasse a minha reputação como bem entendesse.
Carlos engoliu em seco, sufocado.
— A minha avó... ela...
Naiara não suportava mais ouvir a palavra "avó" saindo da boca de Carlos.
Essa palavra era o seu pior pesadelo.
— Carlos, na verdade, eu consigo entender.
Carlos cravou os olhos nela.
— Entender o quê?
— Entender a sua ambição pelos negócios da família Lucca, a ponto de suportar toda essa humilhação até agora.
Mesmo contrariado, ele trincava os dentes e ia contra as próprias vontades.
Essa resiliência não era algo que qualquer pessoa comum pudesse suportar.
Talvez fosse a única grande qualidade de Carlos.
Ele sempre sabia, o tempo todo, o que realmente queria.
Carlos ficou perplexo.
Aquelas palavras carregavam um tom evidente de deboche.
Mas, curiosamente, ele não conseguia sentir raiva.
— Naiara...
Naiara franziu a testa.
— Naiara, ou Srta. Naiara!
Naiara deu um meio sorriso, indecifrável.
— Você subestima demais os seus adversários.
Carlos ignorou o aviso, focado no próprio argumento.
— O salário que a Nuvem Pioneira está pagando, eu cubro e pago o dobro. Na minha empresa, você terá liberdade absoluta. O cargo que você quiser, é só pedir.
Liberdade?
Pff!
Se Afonso dissesse que lhe daria liberdade, ela acreditaria.
Mas a liberdade da qual Carlos falava era, na prática, uma coleira de ouro.
O lema de vida de Carlos era o mesmo dos velhos tiranos absolutistas.
*Prefiro trair o mundo a deixar que o mundo me traia.*
Como alguém assim poderia lhe dar liberdade de verdade?
Naiara não tinha a menor vontade de continuar prolongando aquele assunto inútil.
— Carlos, vou dizer isso pela última vez, e de forma bem clara: eu não vou para a sua empresa. Eu gosto muito da empresa onde trabalho agora.
A expressão de Carlos esfriou quase que instantaneamente.
— Você gosta da Nuvem Pioneira, ou do dono da Nuvem Pioneira?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...