Após desligar, Isadora ficou deitada por um tempo.
Rolou de um lado para o outro na cama até se levantar e pegar uma caixa de remédios que havia guardado.
Eram comprimidos para o estômago.
Ela havia acabado de pedir por delivery.
Mas o remédio não era para ela, e sim para...
Depois de muita hesitação, Isadora se vestiu e caminhou até o quarto ao lado.
Era lá que estavam hospedados Afonso e o assistente dele, José.
Isadora bateu levemente na porta.
José atendeu.
— Srta. Isadora? Aconteceu alguma coisa a uma hora dessas?
Ela apertou as mãos nervosamente e estendeu a caixa de remédios.
— O Sr. Afonso não estava com problemas de estômago mais cedo? Por coincidência, eu tinha este remédio.
José virou a cabeça para trás e anunciou:
— Sr. Afonso, a Srta. Isadora trouxe um remédio para o senhor.
A voz magnética e imponente veio do interior do quarto:
— Pode entrar.
Isadora entrou e viu Afonso sentado à escrivaninha, ainda focado no trabalho.
A tela do computador exibia blocos intermináveis de códigos indecifráveis.
Uma onda de admiração invadiu o peito de Isadora.
Sendo o herdeiro poderoso que era, ele poderia simplesmente aproveitar a vida, mas continuava trabalhando de forma implacável. Isso era raro.
Comparado àqueles herdeirinhos fúteis que só sabiam esbanjar em festas, Afonso estava em um patamar muito superior.
Como uma mulher não se apaixonaria por um homem que reunia tantas qualidades perfeitas?
Afonso se levantou e caminhou em direção a ela.
— Já estou me sentindo bem melhor, mas te agradeço muito.
Isadora, que sempre fora tão desbocada e expansiva, de repente se viu tímida e constrangida.
— Que bom que está bem. Então, eu já vou indo.
Antes de vir, imaginou que conversariam naturalmente, que diria palavras de conforto como uma amiga próxima faria.
Mas agora, cara a cara, as palavras sumiram de sua boca.
— Isadora.
Afonso a chamou subitamente.
Isadora congelou os passos e se virou.
— Sim, Sr. Afonso?
Afonso apontou para o sofá.
— Sente-se um pouco.
— Vocês duas são grandes amigas. Quero que essa amizade continue firme e intocável. Não gostaria que um gesto da minha parte acabasse gerando inveja ou um mal-entendido entre vocês.
Isadora processou as palavras dele.
Ela finalmente... tinha entendido o recado.
O sorriso que surgiu no rosto de Isadora foi extremamente forçado.
— O Sr. Afonso estava preocupado que eu ficasse enciumada e me sentisse diminuída, e que isso afetasse a forma como eu trato a Naiara?
Afonso sorriu com a típica elegância de quem detém o controle.
— Ela se importa muito com você.
Após Isadora deixar o quarto, José finalmente falou:
— Senhor, tive a impressão de que a Srta. Isadora estava agindo de forma muito estranha.
Afonso não deu grande importância ao comentário.
— Estranha em que sentido?
— Não sei explicar direito, mas estava bem diferente.
Normalmente, Isadora era barulhenta, franca e não ligava para convenções.
Mas os minutos em que esteve ali na sala foram marcados por pura formalidade e nervosismo contido.
Nem parecia a própria Isadora.
De volta ao seu quarto, Isadora afundou o rosto no travesseiro da cama. Uma frustração esmagadora pesava em seu peito, sufocando-a em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...