Isadora virou o rosto, recusando-se a olhar para ele.
— Eu não sou tão baixa assim!
Fábio cutucou a testa dela com o dedo.
— O que deu nessa sua língua hoje? Está possuída? Dá para falar como uma pessoa normal?
Isadora mordeu o lábio inferior.
— Minha cabeça está doendo. Quero ir para casa dormir.
Fábio não pensou duas vezes: pegou-a no colo de uma vez só.
— Durma aqui mesmo. Já dormiu a noite inteira, qual o problema de ficar mais algumas horas? Vai dormir! Eu vou sair para comprar roupas e comida para você.
Isadora foi colocada de volta na cama.
Fábio tirou o casaco que ela havia vestido, e dessa vez, ela não ofereceu resistência.
Com um suspiro exausto, Fábio pediu:
— Querida, pelo amor de Deus, só durma um pouco. Para de dar chilique e de colocar minhocas na cabeça. Finja que nada aconteceu hoje, e a gente continua sendo os mesmos parceiros de sempre.
Isadora deitou-se e puxou o edredom até cobrir a cabeça.
— Cai fora.
Fábio resmungou baixinho:
— Eu devo ter jogado pedra na cruz na vida passada... Tanto tempo sendo o dono da situação, e fui cair justo nas suas mãos!
Quando ele estava prestes a sair do quarto, parou no meio do caminho.
— Isadora.
Ser chamada pelo nome completo era tão raro que fez Isadora congelar por um instante.
O tempo pareceu parar por alguns segundos.
— Afonso é como um irmão para mim, e Naiara é minha parceira e amiga. Então, não os machuque.
Isadora ficou em silêncio por alguns instantes.
Ela sabia muito bem o que Fábio queria dizer com aquilo.
Movida pela teimosia, Isadora retrucou:
— E se eu quiser machucá-los mesmo assim?
Um longo silêncio se seguiu.
Incapaz de conter a curiosidade, Isadora abaixou um pouco o edredom e olhou na direção de Fábio.
O rosto dele ostentava uma expressão tão severa que chegava a ser assustadora. E as palavras que saíram de sua boca foram gélidas.
— Então eu passaria a te desprezar até o osso. A partir desse dia, a Isadora que eu conheço deixaria de existir no meu círculo de amigos.
Isadora levou muito tempo para voltar a si.
Aquele ainda era o mesmo Fábio irresponsável e despreocupado de sempre?
O tom de voz e a expressão que ele acabara de usar foram genuinamente assustadores.
— De forma alguma — disse Quitéria. — Como o Sr. Afonso está fora da cidade nestes dois dias, minha carga de trabalho diminuiu bastante. É uma boa oportunidade para aprender um pouco com a senhorita. O Sr. Afonso me disse que a Senhorita Naiara é uma profissional brilhante. Como não entendo muito de computação, posso lhe fazer algumas perguntas de vez em quando?
Naiara sorriu.
— Claro que sim. Mas, de agora em diante, não precisa me chamar de Senhorita Naiara. Somos colegas de trabalho, pode me chamar só de Naiara.
Quitéria hesitou por um segundo.
— Certo.
Naiara organizou seus documentos e se preparou para ir embora.
Se ela não saísse, era provável que Quitéria também não arredasse o pé dali.
Naiara estava prestes a dar a partida no carro quando o celular tocou.
Era um número da delegacia de polícia.
Ela ainda carregava um certo trauma com aquele número.
Da última vez que atendeu a uma ligação dali, sua mãe havia morrido.
E agora...
Naiara hesitou por um momento, mas acabou pressionando o botão para atender.
— Alô, é a Naiara? — perguntou a voz do outro lado.
— Sou eu mesma.
— Aqui é da delegacia de Rio Belo. O seu irmão está aqui. Precisamos que você venha até a delegacia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...