Vitória olhou rapidamente por cima do ombro.
— Do que você está falando, seu louco? Quem?
Fábio se inclinou para perto dela, baixando a voz num tom macabro.
— Aquela pobre pessoa que você matou no trânsito. O espírito vingativo dela virou uma assombração e te segue todos os dias. Você não sente um calafrio na nuca quando está sozinha no escuro?
Um arrepio subiu pela espinha de Vitória, o pânico estampado em seu rosto.
— Seu idiota! Pare de falar essas atrocidades!
Fábio continuou encarando-a com os olhos arregalados.
Vitória sentiu o couro cabeludo formigar de aflição.
— O-o que você...
De repente, ele avançou a mão num solavanco falso, assustando-a.
Vitória soltou um gritinho histérico e ergueu o braço para bater nele.
Os reflexos de Fábio eram bem mais rápidos; com um safanão, ele a repeliu, fazendo-a cambalear para trás.
Ele não tinha um pingo de cavalheirismo reservado para aquela patricinha criminosa.
Isadora, que já se preparava para lançar um insulto e se juntar à briga, subitamente paralisou.
O colar no pescoço de Vitória...
Isadora correu para o lado de Fábio e sussurrou:
— Aquele não é... o colar?
O olhar de Fábio foi atraído para o peito da garota.
Ele conhecia o design daquela joia muito bem.
Era exatamente aquele!
— É o do Afonso...
Isadora beliscou o braço dele.
Fábio recobrou a consciência no mesmo instante.
Havia se esquecido de que Naiara não fazia ideia de que a joia fora um presente anônimo de Afonso.
Depois de todo esse tempo, a maldita da Vitória tinha roubado o colar e estava desfilando com ele por aí!
Para ter certeza absoluta de que era o design exclusivo do amigo, Fábio caminhou em direção a Vitória e esticou a mão em direção ao pescoço dela.
Horrorizada, ela cruzou os braços em frente ao corpo.
— O que você está fazendo? Seu pervertido!
Fábio revirou os olhos, entre o riso e a exasperação.
— Se eu fosse bancar o pervertido, te garanto que você seria a última das opções. Só me deixe dar uma olhada nesse colar.
Vitória estava totalmente confusa e na defensiva.
— Por que você quer ver o meu colar?
— Achei bonito. Quero comprar um igual para a minha namorada, preciso dele como referência — inventou ele.
Será que estava ficando louco e havia, por uma coincidência absurda, uma peça idêntica rodando por aí?
Para calar a boca dele, Vitória virou o pingente de flor de jasmim, exibindo o verso.
— Está vendo isso? As iniciais do meu nome em inglês estão bem aqui!
Fábio inclinou-se, observou com atenção o entalhe e soltou uma risada debochada.
— Olha só, é verdade.
Vitória imediatamente inflou o peito, cheia de si.
— Dá próxima vez, veja se aprende o seu lugar antes de caluniar alguém. Para de olhar com cobiça para as coisas caras dos outros, parece um caipira que nunca viu o mundo!
Aquilo foi a gota d'água.
Isadora cerrou os dentes e começou a dobrar as mangas da blusa.
— Ninguém me segura, vou quebrar a cara dessa vagabunda!
Fábio rapidamente passou o braço ao redor do pescoço de Isadora, imobilizando-a antes que ela pulasse no pescoço da outra.
— A família Lucca é toda-poderosa. De fato, não podemos competir. Vamos só abaixar a cabeça e engolir o sapo, não precisa se estressar.
Com um sorriso arrogante, Vitória ajeitou a bolsa no ombro.
— Exatamente. O melhor é reconhecer a própria insignificância.
Naiara, que observava toda a cena em silêncio de escanteio, estava completamente perdida.
Por que, de todos os assuntos, Fábio e Isadora de repente ficaram tão fixados no colar daquela mimada da Vitória?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...