Naiara pisou fundo no freio, com o coração ainda disparado pelo susto.
Quando reconheceu a figura que descia do outro carro, xingou todas as gerações da família dele em pensamento. Teve vontade de acelerar e passar por cima.
Carlos puxou a maçaneta do carro com força.
Estava trancada.
Com o semblante fechado, ele bateu no vidro:
— Abra a porta.
Naiara abaixou apenas uma fresta da janela.
— Sr. Carlos, se continuar com isso, posso chamar a polícia.
Antes que ele pudesse responder, ela mesma completou:
— Ah, quase me esqueci. A família Lucca é tão poderosa que resolve tudo com dinheiro, então a polícia provavelmente não faria nada.
— Desça do carro. Tenho algumas perguntas para você — exigiu Carlos.
Naiara não cedeu um milímetro.
— Não tenho tempo.
Ele deu seu ultimato:
— Ou você desce para conversarmos como pessoas civilizadas, ou vamos ficar parados aqui o dia todo.
Um carro surgiu de repente e buzinou, bloqueado pela cena.
Carlos endireitou a postura, ergueu a mão num gesto displicente e arrogante, emanando um ar de domínio absoluto.
O outro motorista, preferindo evitar problemas com alguém daquele nível, deu meia-volta e pegou outro caminho.
Que falta de classe, Naiara praguejou mentalmente.
Pelo visto, se não descesse, realmente não sairia dali.
— Quer que eu continue bloqueando a rua? — pressionou ele, impaciente.
Naiara finalmente saiu do veículo.
— Você poderia, pelo menos, estacionar o carro direito? A rua não é propriedade da sua família, tente ter um pouco de educação.
— Para você fugir enquanto eu estaciono? — rebateu.
Naiara deu um sorriso irônico.
— Não fui eu quem fez algo de errado. Por que eu fugiria?
Ainda desconfiado, Carlos foi estacionar.
Ao sair do carro, bateu a porta com tanta força que o estrondo ecoou pela rua.
Naiara observou o chilique com total indiferença.
— Você deve ter escutado mal naquele dia. Eu não disse nada sobre Tempestade. Nem sei do que você está falando.
Carlos franziu a testa, encarando-a fixamente.
— Eu lembro muito bem que você disse!
Naiara fingiu pensar por um momento.
— Ah, talvez eu tenha me expressado mal. Como eu poderia ser um gênio da computação? Se eu consigo entender o básico do alfabeto, já é um grande feito.
A expressão de Carlos relaxou gradualmente.
Ele sabia. Como essa mulher poderia ser o Tempestade?
Se fosse, por que teria aceitado passar três anos presa a ele, aguentando tantas humilhações sem nunca reclamar?
Naiara ria por dentro, mas manteve o rosto impenetrável.
— Já terminou o interrogatório? Se sim, preciso ir.
— A avó disse que, em breve... — Carlos hesitou, parecendo ter dificuldade de concluir a frase.
Naiara revirou os olhos mentalmente.
A avó disse, a avó disse...
Ele não sabia falar outra coisa que não fosse a avó. Carlos não passava de um garotinho mimado escondido atrás da matriarca!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...